Nos últimos anos, a Bahia tem se firmado como um dos estados mais promissores na produção de energia renovável no Brasil. Com um cenário favorável de ventos constantes e alta irradiação solar, o estado tem atraído investidores de todo o mundo, garantindo a transição energética e impulsionando o uso de fontes limpas e sustentáveis.
A aposta nesse setor tem rendido resultados expressivos. Atualmente, a Bahia conta com 441 usinas em operação, sendo a maioria delas no setor eólico, que ultrapassou a marca de 10 gigawatts (GW) de capacidade instalada, conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Esse volume é suficiente para abastecer aproximadamente 28 milhões de residências e representa 23% da expansão da matriz elétrica nacional.
A energia solar também tem desempenhado um papel fundamental. Com 79 usinas em operação e 2,4 GW de potência outorgada, a Bahia ocupa a segunda posição no ranking nacional de geração fotovoltaica, contribuindo com 17% da capacidade instalada do Brasil. A expectativa é de que, até 2030, sejam investidos quase R$ 90 bilhões na construção de mais 556 empreendimentos, gerando cerca de 740 mil empregos diretos e indiretos.
Ventos que impulsionam o desenvolvimento
A combinação de incentivos fiscais atrativos, uma política estadual de fomento ao setor e um regime climático favorável têm sido os principais motores desse avanço. Municípios como Caetité, Tanque Novo e Morro do Chapéu abrigam complexos eólicos de grande porte, que vêm transformando a matriz energética e trazendo impactos positivos para a economia local.
O Complexo Eólico de Tanque Novo, por exemplo, inaugurado em 2023 pela CGN Brazil Energy, já contribui com 720 milhões de kWh de eletricidade ao ano. Com 40 aerogeradores de 185 metros de altura distribuídos em sete parques, o complexo pode abastecer até 660 mil residências. O investimento foi de R$ 1,2 bilhão, gerando 1.100 empregos diretos e indiretos.
Na Chapada Diamantina, os Complexos Eólicos Sul I e II, da Enel Green Power, contam com 170 aerogeradores e capacidade instalada de 525 MW, o suficiente para fornecer energia limpa a 1,5 milhão de lares. Além do impacto ambiental positivo, esses empreendimentos têm movimentado a economia regional, criando novas oportunidades de trabalho e desenvolvimento.
A energia do sol e o futuro promissor
Se os ventos impulsionam o crescimento do setor energético baiano, o sol também tem sido um grande aliado. O estado tem alguns dos melhores índices de irradiação solar do país, o que favorece a instalação de grandes usinas fotovoltaicas.
O Complexo Solar Lapa, em Bom Jesus da Lapa, é um exemplo desse potencial. Construído em 2016, ele abriga dois parques com 500 mil placas solares instaladas em um terreno equivalente a 287 campos de futebol. Com uma capacidade de geração de até 158 MW, é capaz de atender 166 mil residências e já gerou mais de 1.200 empregos, com grande participação da mão de obra local.
Além dos impactos econômicos positivos, a expansão da energia renovável na Bahia traz benefícios ambientais significativos. A geração eólica e solar não dependem de combustíveis fósseis, têm baixa emissão de gases de efeito estufa e contribuem diretamente para a redução da pegada de carbono do país.