O início de 2026 marcou uma mudança concreta no atendimento a mulheres com endometriose no Hospital Regional de Sobradinho. Após investir R$ 300 mil na compra de novos equipamentos de videolaparoscopia, a unidade retomou os procedimentos cirúrgicos e ampliou a capacidade assistencial, passando a realizar, em média, duas cirurgias por semana.
A modernização da estrutura permitiu não apenas a retomada das cirurgias, mas também a ampliação do acesso a um tratamento especializado para pacientes que conviviam há anos com dores e incertezas. Entre elas está Maria Sales, de 50 anos, que enfrentou um longo percurso até chegar ao diagnóstico correto.
Durante quatro anos, passou por diversos exames, retirou cistos e chegou a realizar a retirada do útero, em meio a uma investigação que incluiu a suspeita de câncer. A confirmação da endometriose veio apenas posteriormente, acompanhada do encaminhamento cirúrgico. “Depois de tanto tempo sem respostas, entender o que realmente estava acontecendo mudou tudo”, relata. “Hoje sigo o tratamento com mais tranquilidade, porque existe um direcionamento claro.”
Outra paciente beneficiada foi Ana Lúcia Alves, de 49 anos. Ela conta que conviveu por anos com dores intensas, sem associá-las a uma doença específica. “Eu acreditava que aquilo fazia parte da rotina”, afirma. “Quando a médica da UBS levantou a suspeita, o quadro começou a se esclarecer. Ter um diagnóstico trouxe alívio.”
De acordo com a gerente do Centro Cirúrgico da unidade, Jéssica do Nascimento, a chegada dos novos equipamentos teve impacto direto na qualidade da assistência. Segundo ela, a atualização tecnológica possibilitou ampliar o número de procedimentos, aumentar a segurança cirúrgica e reduzir o tempo de espera das pacientes.
A endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, podendo atingir órgãos como ovários, intestino e bexiga. Entre os sintomas mais frequentes estão cólicas menstruais intensas, dor pélvica persistente, dor durante a relação sexual, alterações intestinais ou urinárias no período menstrual e dificuldade para engravidar.
O tratamento varia conforme cada caso e pode incluir medicamentos ou cirurgia, especialmente quando há comprometimento significativo da qualidade de vida.
Os procedimentos são realizados por videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva feita por pequenas incisões no abdômen, que permite melhor visualização da pelve e retirada precisa das lesões, com recuperação mais rápida.
Mulheres com suspeita da doença devem procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde, onde recebem os primeiros atendimentos e, se necessário, são encaminhadas para a atenção especializada.




