O acesso a serviços urbanos no Distrito Federal deixou de ser uma realidade concentrada no Plano Piloto e passou a avançar sobre outras regiões administrativas. Nos últimos anos, iniciativas ligadas à mobilidade, orientação urbana e segurança pública começaram a chegar de forma mais consistente às cidades fora do eixo central, alterando a rotina de quem vive longe do centro político da capital.
Um dos exemplos mais visíveis dessa mudança é o Zebrinha. Criado inicialmente como solução localizada no centro, o transporte de vizinhança foi expandido e hoje opera em 17 regiões administrativas. Com 68 veículos em circulação, o serviço transporta cerca de 20,7 mil passageiros por dia, conectando deslocamentos curtos dentro dos bairros e facilitando o acesso ao metrô e às linhas de ônibus.
Na prática, a mudança se reflete no cotidiano. A telefonista Ábia Eloína afirma que o serviço reduziu o tempo gasto nos trajetos diários. “Consigo resolver meus deslocamentos mais rápido e sem gastar tanto”, diz. Segundo a Secretaria de Mobilidade, a procura pelo Zebrinha aumentou 26% recentemente, acompanhando a retomada do uso do transporte público.
A reorganização também passou pela sinalização urbana. O modelo de placas inspirado no padrão histórico de Brasília deixou de ser exclusivo do Plano Piloto e foi instalado nas 35 regiões administrativas. Ao todo, cerca de 50 mil unidades foram implantadas em cidades como Taguatinga, Ceilândia, Sobradinho, Guará e Samambaia.
Produzidas pelo DER-DF a partir de projeto do arquiteto e designer Danilo Barbosa, as placas padronizam a identificação das vias e tornam a circulação mais intuitiva. Para a moradora de Taguatinga Laís Pereira, a diferença é perceptível. “Para quem não conhece bem a cidade, ficou muito mais fácil se localizar”, afirma. O autor do sistema destaca que o projeto já previa essa expansão. “Desde o início, a ideia era que o padrão alcançasse todo o DF”, explica.
Na segurança pública, Ceilândia passou a contar com a segunda Delegacia de Atendimento Especial à Mulher do DF. A unidade funciona 24 horas, possui seções específicas e inclui um posto descentralizado do Instituto Médico Legal.
Para a servidora pública Rosa Nilda de Fasco Araújo, a presença da delegacia na região representa um avanço concreto. “Ter um atendimento especializado perto de casa incentiva as vítimas a buscar ajuda”, avalia.
Outra mudança fora do eixo central é a expansão dos patinetes elétricos compartilhados. O sistema soma 2.700 equipamentos distribuídos por oito regiões administrativas e já registrou mais de 1,1 milhão de viagens até dezembro de 2025, com cerca de 264 mil usuários cadastrados.
Morador do Guará, o analista Kalyu Monteiro diz que o recurso passou a fazer parte da rotina. “Para distâncias curtas, virou uma solução prática e rápida”, relata.
A presença desses serviços em diferentes regiões administrativas evidencia uma reorganização na forma como a infraestrutura urbana vem sendo distribuída no Distrito Federal. Estruturas antes concentradas no centro passam, gradualmente, a integrar o cotidiano de moradores de diversas áreas da capital.




