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Celina evita abrir plano do BRB e diz que governo Lula não avançou em ajuda

GDF mantém medidas para estabilizar banco em meio à pressão do mercado

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O agravamento da crise no BRB voltou ao centro do debate político nesta quarta-feira (15), após a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), cobrar publicamente uma postura mais colaborativa do governo federal diante da situação enfrentada pelo banco estatal.

Sem entrar em detalhes sobre as tratativas em curso para socorrer a instituição, Celina afirmou que ainda não houve retorno concreto da União às demandas apresentadas pelo GDF. Segundo ela, o Distrito Federal buscou todas as alternativas possíveis de diálogo, mas não encontrou abertura por parte do Palácio do Planalto para avançar em uma solução conjunta. “A União não apresentou nenhuma resposta às solicitações que fizemos. Levamos todas as possibilidades, mas não percebo disposição para avançar nessa ajuda”, declarou a governadora.

A chefe do Executivo local relatou que discutiu o tema, por telefone, em 30 de março, com o ministro Dario Durigan, do Ministério da Fazenda. Apesar disso, a avaliação no governo Lula, segundo informou a Folha de S.Paulo, é a de que o problema precisa ser resolvido pelo próprio Distrito Federal, controlador do BRB.

Ao comentar a postura da União, Celina citou o caso do banco Digimais para sustentar a crítica de que faltou tratamento institucional ao BRB. A instituição ligada ao bispo Edir Macedo firmou um acordo de intenção de compra com o BTG Pactual, em negociação que ainda depende de aval do Banco Central, do Cade e de um possível entendimento com o Fundo Garantidor de Créditos. O FGC, porém, não integra a estrutura do governo federal.

Para a governadora, o momento exigia uma relação republicana entre os entes federativos, independentemente das diferenças ideológicas. “Está muito evidente que não houve interesse em adotar nenhuma medida. Isso é lamentável, porque a relação institucional precisa prevalecer. Tenho posição política conhecida, mas sempre estive disposta a dialogar em defesa de Brasília. Esperava a mesma postura do presidente, e isso não aconteceu”, afirmou.

Celina é pré-candidata ao Palácio do Buriti, em uma chapa que deve ter a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como pré-candidata ao Senado.

Ao ser questionada sobre o pedido de empréstimo encaminhado pelo GDF ao FGC e também sobre as negociações do BRB com a gestora Quadra Capital, a governadora preferiu não aprofundar o assunto. Disse apenas que evita comentar etapas sensíveis para não gerar instabilidade adicional no mercado.

“O que posso assegurar é que todas as providências necessárias estão sendo adotadas. No momento adequado, e após o alinhamento com o Banco Central, tudo será apresentado com transparência”, afirmou. Em seguida, reforçou a confiança na instituição: “O BRB é um banco sólido e tem uma trajetória importante para esta cidade”, acrescentou.

A defesa da solidez do banco também foi feita pelo presidente do BRB durante evento promovido pelo grupo Lide, em Brasília, diante de empresários. Em meio à pressão causada pela crise, ele buscou afastar rumores sobre a continuidade da instituição. “Aos que apostaram em uma quebra do BRB, deixo um recado claro: isso não vai acontecer. O banco sairá desse processo mais forte e seguirá como símbolo de Brasília e da região”, disse.

A crise ganhou novas proporções depois que o BRB adiou a divulgação do balanço de 2025, descumprindo o prazo legal previsto para empresas de capital aberto. Sem a publicação das demonstrações financeiras, segue sem dimensão oficial o tamanho do impacto das operações feitas com o Banco Master.

Segundo as investigações, o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos fraudulentos ligados à instituição de Daniel Vorcaro. Em meio a esse cenário, foi sancionada, em março, a lei que autoriza o Governo do Distrito Federal a adotar medidas para o socorro da instituição, incluindo a possibilidade de contratar até R$ 6,6 bilhões em operações de crédito com o FGC ou com outras instituições financeiras.

No discurso a empresários, o presidente do banco afirmou que a reação à crise está baseada em medidas voltadas ao reforço da estrutura interna. “Estamos atravessando uma fase difícil, que exige responsabilidade, transparência e firmeza. É justamente em momentos assim que os fundamentos de uma instituição são testados”, declarou.

Ele também disse que a atual gestão trabalha para reorganizar o banco e elevar os padrões de controle. “Estamos implementando um processo consistente de fortalecimento do BRB, com foco em eficiência operacional, aprimoramento da governança e mais rigor na condução da gestão. Há uma revisão de processos em andamento, reforço dos mecanismos de controle e aumento do nível de exigência em todas as decisões”, afirmou.

Na semana passada, o BRB anunciou a saída de dois diretores remanescentes da administração anterior: Diogo Ilário de Araújo Oliveira, da área de Atacado e Governo, e José Maria Corrêa Dias Júnior, da Diretoria de Tecnologia.

As mudanças ocorreram após análise conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados, com apoio técnico da Kroll, que levantou suspeitas sobre a atuação de antigos integrantes da cúpula do banco, incluindo o ex-presidente Paulo Henrique Costa.

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