Criados para atender áreas onde os ônibus convencionais têm dificuldade de circulação, os chamados zebrinhas vêm conquistando espaço na rotina dos moradores do Distrito Federal. O modelo de transporte de vizinhança já ultrapassa a marca de 21,8 mil acessos diários e se tornou uma das principais ferramentas para conectar bairros a estações de metrô, corredores de ônibus e outros pontos estratégicos da capital.
Atualmente, o sistema opera com 30 linhas distribuídas em 15 regiões administrativas. São 65 veículos em circulação, responsáveis por mais de 600 viagens nos dias úteis. A proposta é oferecer deslocamentos mais curtos e ágeis dentro das cidades, reduzindo a distância entre os passageiros e a rede principal de transporte público.
O crescimento da demanda acompanha a expansão do serviço. Nos últimos anos, novas linhas passaram a atender regiões como Guará, Águas Claras, Taguatinga, Ceilândia, Vicente Pires, Arniqueira, São Sebastião, Itapoã Parque e Paranoá Parque.
Para o subsecretário de Operações da Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF), Márcio Antônio de Jesus, a principal vantagem do modelo está na capacidade de chegar a locais que antes tinham cobertura limitada do transporte coletivo. “Os veículos menores permitem uma operação mais eficiente dentro das áreas residenciais. Isso aproxima o transporte dos moradores e facilita a integração com outros modais utilizados diariamente pela população”, afirma.
A maior movimentação de passageiros está concentrada nas linhas que atendem o Guará, Águas Claras, Taguatinga, Arniqueira e Ceilândia. Juntas, elas respondem por milhares de embarques diários e ajudam a desafogar trajetos realizados por linhas tradicionais.
No Guará, uma das regiões contempladas recentemente com a ampliação do sistema, o transporte de vizinhança já se tornou parte da rotina de muitos moradores. A linha circular que conecta o Guará I e II ao ParkShopping e ao Aeroporto Internacional de Brasília registra cerca de 1,2 mil usuários por dia.
Segundo o administrador regional do Guará, Artur Nogueira, o serviço tem contribuído para melhorar a mobilidade dentro da cidade. “Esses veículos conseguem percorrer trajetos mais próximos das quadras residenciais e oferecer acesso facilitado a locais de grande circulação. Isso amplia a oferta de transporte e torna os deslocamentos mais práticos para a população”, destaca.
A comerciante Regiane Sousa está entre os usuários que aprovaram a iniciativa. Ela conta que o serviço ajuda a conectar diferentes pontos da região e atende locais que antes exigiam caminhadas maiores ou baldeações. “É uma opção muito útil porque passa perto de hospitais, comércio e estações de metrô. Para quem depende do transporte público no dia a dia, faz bastante diferença”, relata.
Integrados ao metrô, ao BRT e ao programa Vai de Graça, os zebrinhas vêm assumindo uma função estratégica na mobilidade do Distrito Federal. Mais do que transportar passageiros, o serviço tem ampliado o alcance do sistema público e aproximado o transporte coletivo de milhares de moradores espalhados pelas regiões administrativas.



