Após mais de dez anos de espera, o Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad), em Taguatinga, começou finalmente a ganhar vida. O Governo do Distrito Federal deu início nesta segunda-feira (1º) ao processo de ocupação gradual do complexo, construído para centralizar a máquina pública distrital, mas que permaneceu subutilizado desde sua entrega, em 2014.
A mudança, determinada pela governadora Celina Leão, tem como principal objetivo reduzir os gastos do governo com aluguéis de imóveis utilizados por secretarias e órgãos da administração pública. A estratégia prevê a transferência gradual das estruturas que atualmente funcionam em prédios locados para os 16 edifícios que compõem o centro administrativo.
“Nós estamos dando um passo importante para reduzir gastos com aluguel no GDF. Hoje já temos a possibilidade concreta de ocupar esse espaço. A orientação é que as secretarias que hoje utilizam recursos públicos com aluguel sejam as primeiras a se instalar”, afirmou a governadora.
A primeira pasta a iniciar o processo de mudança será a Secretaria de Obras e Infraestrutura. Caberá ao órgão preparar os edifícios para receber as demais estruturas administrativas, além de coordenar intervenções necessárias para adequar os espaços.
Segundo o secretário de Obras, Valter Casimiro, o trabalho já começou em conjunto com as áreas responsáveis pelo planejamento da ocupação.
“Nós vamos iniciar a alocação nos prédios do Centro Administrativo e será responsável por conduzir todas as intervenções necessárias para receber as demais secretarias. O detalhamento das ações já começou, em conjunto com a Secretaria de Economia, e também será feito com a Casa Civil, que vai coordenar a destinação dos prédios e definir quais áreas serão ocupadas por cada órgão do governo”, explicou.
A expectativa inicial é que mais de 150 servidores da própria Secretaria de Obras passem a atuar no local. Na sequência, outras secretarias serão transferidas conforme o cronograma elaborado pelo governo.
Entre as pastas consideradas prioritárias para a mudança estão a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, a Casa Civil, a Casa Militar e a Secretaria de Governo. A Secretaria de Desenvolvimento Urbano já iniciou estudos internos para viabilizar a transferência de sua equipe.
Preparação do complexo
Enquanto as primeiras mudanças são planejadas, o governo acelera uma série de serviços para tornar o espaço plenamente funcional. Equipes da Novacap realizam manutenção de áreas verdes, limpeza de calçadas e recuperação do paisagismo. Também foram iniciados trabalhos para manutenção dos elevadores e levantamentos técnicos destinados a identificar necessidades estruturais, como impermeabilização de lajes, recuperação de calhas e adequação de áreas de circulação.
O objetivo é ocupar gradualmente os 182 mil metros quadrados do complexo, concebido para reunir em um único endereço grande parte da administração local.
Uma obra marcada por impasses
Projetado para ser o principal centro administrativo do Distrito Federal, o CADF teve sua construção concluída há mais de uma década, mas nunca chegou a cumprir integralmente sua função. Desde a entrega, o empreendimento enfrentou uma sequência de disputas judiciais, questionamentos contratuais e discussões envolvendo custos da obra e pagamentos pendentes.
O resultado foi um dos maiores investimentos públicos da história recente do DF permanecendo praticamente vazio durante anos, enquanto diversos órgãos continuavam espalhados por imóveis alugados em diferentes regiões administrativas.
Agora, além da expectativa de economia aos cofres públicos, o governo aposta que a ocupação definitiva do espaço poderá impulsionar a atividade econômica em Taguatinga, com aumento da circulação diária de servidores, prestadores de serviços e cidadãos que buscam atendimento.
Para o secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, a transferência representa uma mudança na lógica administrativa do governo.
“Essa mudança representa uma nova lógica de gestão: menos desperdício, mais planejamento e mais investimento onde realmente importa, que é o atendimento ao cidadão”, afirmou.
Segundo ele, os impactos financeiros da medida ainda estão sendo calculados, mas a orientação é que a transição ocorra de forma gradual para evitar prejuízos ao funcionamento dos serviços públicos.
“A governadora vai organizar a logística dessa transição para não termos prejuízos. Tudo está sendo feito com muita responsabilidade e cautela”, concluiu.



