Apenas 10 dos 23 militares que iniciaram o 31º Curso de Mergulho Autônomo de Resgate do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) conseguiram concluir todas as etapas da formação. A cerimônia de formatura foi realizada nesta sexta-feira (12), no Grupamento de Busca e Salvamento (GBS), em um momento que também marcou os 50 anos da atividade de mergulho de resgate na corporação.
A alta taxa de desistência evidencia o grau de dificuldade do curso, considerado um dos mais rigorosos do CBMDF. Durante pouco mais de dois meses de treinamento, os participantes enfrentaram uma rotina intensa de atividades físicas, técnicas e operacionais voltadas para o atendimento de ocorrências em ambientes aquáticos de alta complexidade.
A preparação incluiu exercícios de busca e resgate subaquático, recuperação de vítimas, reflutuação de estruturas, navegação embaixo d’água e mergulhos noturnos. Parte dos treinamentos foi realizada em condições de baixa ou nenhuma visibilidade, cenário em que os militares precisam se orientar praticamente apenas pelo tato.
A edição deste ano recebeu o nome de “Turma CMAut 50 Anos” em referência ao cinquentenário da atividade de mergulho de resgate no Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. Em cinco décadas, apenas 248 militares concluíram essa especialização e passaram a integrar a equipe responsável por missões consideradas entre as mais desafiadoras da corporação.
Os mergulhadores de resgate atuam em ocorrências como afogamentos, buscas por pessoas desaparecidas, recuperação de corpos e objetos submersos, inspeções técnicas e operações especiais em rios, lagos e represas. Muitas dessas ações exigem atuação em águas turvas, durante a noite ou em locais com condições extremas, onde a experiência e o preparo técnico fazem a diferença.
Além das ocorrências atendidas no Distrito Federal, o grupo também é frequentemente acionado para reforçar operações em outras unidades da Federação. Nos últimos anos, os especialistas participaram de missões de grande repercussão nacional, entre elas as buscas após o desabamento da ponte entre Maranhão e Tocantins, além de operações realizadas em Goiás, Minas Gerais e outros estados.
Com a formação da nova turma, o CBMDF amplia seu efetivo de especialistas em salvamento aquático e reforça a capacidade de resposta para ocorrências que exigem alto nível de preparo técnico, mantendo uma tradição construída ao longo de meio século de atuação em cenários de elevado risco.



