A busca por atendimento médico, a emissão de documentos ou mesmo a participação em uma entrevista de emprego podem se tornar tarefas muito mais difíceis quando a comunicação encontra barreiras. Para a população surda do Distrito Federal, uma iniciativa do Governo do Distrito Federal tem contribuído para tornar esses processos mais acessíveis e garantir que direitos básicos sejam exercidos com mais autonomia.
A Central de Intermediação em Libras (CIL), vinculada à Secretaria da Pessoa com Deficiência, oferece acompanhamento especializado a cidadãos surdos em diferentes situações do cotidiano. O serviço disponibiliza intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras) para auxiliar em atendimentos presenciais, reuniões, audiências, consultas e outras atividades que exigem comunicação clara entre usuários e instituições.
Os números revelam a relevância da iniciativa. No ano passado, a central realizou mais de 2,4 mil atendimentos. Em 2026, antes mesmo da metade do ano, o serviço já havia ultrapassado a marca de 1,1 mil acompanhamentos, contabilizados até 9 de junho.
De acordo com o secretário da Pessoa com Deficiência, Willian Cunha, a acessibilidade na comunicação é um elemento fundamental para a construção de uma sociedade mais inclusiva. “Quando garantimos que uma pessoa surda consiga compreender informações e ser compreendida durante um atendimento, estamos fortalecendo o acesso aos direitos e ampliando sua participação na vida social. A inclusão acontece quando os serviços públicos chegam a todos de forma efetiva”, ressalta.
Mais do que interpretar conversas, a equipe da central atua para assegurar que informações importantes sejam compreendidas integralmente pelos usuários. Esse suporte tem impacto direto na rotina de quem depende do serviço para resolver questões ligadas à saúde, à educação, ao trabalho e à assistência social.
A vendedora Maria Izabel da Silva, de 44 anos, conhece bem essa realidade. Usuária da central, ela explica que o acompanhamento dos intérpretes proporciona mais tranquilidade em situações que exigem atenção aos detalhes. “Existem momentos em que precisamos entender exatamente o que está sendo explicado. Com o apoio do intérprete, conseguimos participar das conversas com mais confiança e segurança”, relata.
Para o diretor da CIL, Waldimar Carvalho da Silva, a iniciativa representa uma ferramenta essencial de inclusão. Surdo, ele destaca que o serviço ajuda a reduzir obstáculos enfrentados diariamente pela comunidade. “Muitas pessoas chegam até nós buscando orientação para resolver situações que dependem de uma comunicação eficiente. Nosso papel é garantir que elas tenham acesso à informação e possam conduzir suas demandas de forma independente”, explica.
Além dos atendimentos individuais, a central também participa de eventos e ações institucionais promovidos pelo GDF, ampliando a presença da acessibilidade em diferentes espaços públicos.
A unidade funciona na Praça do Cidadão, na Estação do Metrô da 112 Sul, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Os cidadãos podem procurar o serviço tanto por agendamento quanto por demanda espontânea.
Como complemento ao atendimento presencial, o Distrito Federal disponibiliza, ainda, o aplicativo DF Libras, que oferece suporte remoto por videochamada com intérpretes 24 horas por dia. A ferramenta amplia as possibilidades de atendimento, mas a central continua sendo referência para situações que exigem acompanhamento presencial ou análise de documentos físicos.



