Ex-governador inicia campanha com agenda ao lado de Daniel Vilela e Gracinha Caiado e usa avanços em segurança e saúde como cartão de visita para a disputa nacional
Ronaldo Caiado (PSD) escolheu o Entorno do Distrito Federal para dar os primeiros sinais de sua campanha presidencial. Depois de participar de uma missa na Catedral Metropolitana de Goiânia, neste domingo (16), o ex-governador percorreu seis municípios da região ao lado do governador Daniel Vilela (MDB), candidato à reeleição, e de Gracinha Caiado, que disputa uma vaga no Senado. A agenda serviu para exibir a unidade de sua base em Goiás e apresentar a experiência acumulada no Estado como argumento para a corrida ao Palácio do Planalto.
Águas Lindas de Goiás foi o ponto de partida da caravana, que passou ainda por Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental e Luziânia. A escolha do roteiro colocou no centro da estreia eleitoral uma região de forte peso político e marcada, por anos, por dificuldades na segurança pública e na oferta de serviços.
Foi justamente a segurança uma das principais bandeiras levantadas por Caiado. O candidato recuperou o histórico de violência de municípios do Entorno para sustentar que a presença mais efetiva do Estado produziu mudanças na região. A tese deve ocupar espaço relevante na campanha: levar para o debate nacional uma experiência de gestão construída em Goiás como resposta ao avanço da criminalidade.
Na saúde, Caiado também recorreu aos resultados de sua administração para construir a narrativa de que o Estado passou a estar mais presente no Entorno. Ele citou a ampliação da estrutura hospitalar em uma região com cerca de 1,6 milhão de habitantes e lembrou que, anteriormente, não havia leitos de UTI estaduais disponíveis. Entre os exemplos apresentados está o Hospital Estadual de Águas Lindas, inaugurado em 2024 após anos de paralisação das obras.
O discurso, porém, não ficou restrito a números e obras. Caiado procurou associar a expansão dos serviços públicos a uma mudança na relação entre os moradores e o governo estadual. A ideia apresentada pelo ex-governador é que a maior presença do poder público teria reduzido a sensação de abandono que marcou parte da população do Entorno.
Na disputa nacional, o candidato também sinalizou que pretende se apresentar como uma alternativa de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao falar sobre o primeiro turno, Caiado afirmou que caberá ao eleitor decidir quem avançará para a segunda etapa da eleição e ocupará o campo de enfrentamento ao atual governo.
A agenda teve ainda um desfalque político. Presidente nacional do PSD e cotado para compor a chapa como vice, Gilberto Kassab não participou dos atos em Goiás. Caiado atribuiu a ausência à necessidade de Kassab acompanhar a mobilização eleitoral do partido em São Paulo.
A largada no Entorno expôs, assim, duas frentes que deverão caminhar juntas ao longo da campanha. De um lado, Caiado precisa preservar a articulação política construída em Goiás, onde Daniel Vilela busca a reeleição e Gracinha Caiado disputa o Senado. De outro, terá de ampliar sua presença para além de sua principal base eleitoral.
A estratégia escolhida para o primeiro dia foi clara: transformar os resultados de Goiás, especialmente em segurança, saúde e gestão pública, em uma espécie de vitrine para o projeto nacional. O desafio será fazer essa experiência estadual ganhar dimensão suficiente para disputar espaço em um cenário presidencial muito mais amplo e competitivo.



