O número saltou aos olhos de quem acompanha a corrida pelo Palácio do Buriti: 51%. É exatamente o placar que separa uma eleição resolvida em uma única votação de uma disputa que se estenderia até o fim de outubro. E é esse o percentual que a governadora Celina Leão (PP) atingiu no levantamento mais recente do Datafolha, no recorte de votos válidos — o que mede apenas quem já decidiu seu voto, descontados brancos, nulos e indecisos.
A cena de fundo ajuda a explicar o momento. Na mesma semana em que o instituto foi a campo, o Tribunal Superior Eleitoral colocou um ponto final na candidatura de José Roberto Arruda (PSD), barrada em definitivo na quinta-feira, dia 24 de setembro, por improbidade administrativa ligada à Operação Caixa de Pandora. Fora do jogo pela terceira vez em sua trajetória.
O início de uma nova aritmética eleitoral — e é justamente esse novo cenário, sem Arruda na disputa, que traz a Celina a vitória em primeiro turno.
Os números por trás do favoritismo
No recorte de votos válidos, a fotografia da corrida ficou assim:
- Celina Leão (PP): 51% (eram 54%)
- Leandro Grass (PT): 27% (eram 23%)
- Paula Belmonte (PSDB): 9% (eram 10%)
- Cappelli (PSB): 6% (eram 4%)
- Professora Samara Mineiro (UP): 3% (eram 2%)
- Professor Robson (PSTU): 2% (eram 2%)
- Kiko Caputo (Novo): 2% (eram 4%)
- Rico Pinheiro (PRTB): 0% (eram 1%)
- Elisson (Agir): 0% (eram 0%)
- Expedito Mendonça (PCO): 0% (eram 0%)
Houve recuo de três pontos na comparação com a pesquisa anterior — nada trivial em uma eleição que se decide no fio da navalha dos 50%+1. Mas o fôlego de Leandro Grass, que subiu de 23% para 27%, não foi suficiente para ameaçar a distância: são 24 pontos percentuais entre o primeiro e o segundo colocado, um abismo que a poucos dias das urnas dificilmente se fecha.
Por que esse cenário deixou de ser hipótese
Até pouco tempo atrás, a disputa “sem Arruda” era tratada pelos institutos como um exercício alternativo, uma simulação entre outras. A decisão do TSE mudou esse status: o cenário que antes era projeção agora é o retrato real da urna que os eleitores do Distrito Federal vão encontrar em outubro. E é justamente nesse retrato que Celina aparece rente à linha que separa a vitória tranquila de uma disputa prolongada até o fim do mês.
Ficha técnica
O Datafolha ouviu 910 eleitores do Distrito Federal entre 22 e 24 de setembro de 2026. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob os números DF-01888/2026 e BR-06769/2026, e foi contratado pela TV Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo.



