Todo morador do Distrito Federal conhece a cena: a reunião de condomínio é convocada para debater a reforma do elevador, a prestação de contas ou o vazamento na garagem. No entanto, em vez de discutirem as soluções para os problemas do prédio, os moradores passam a noite inteira atacando a vida pessoal dos vizinhos, trocando acusações e debatendo fofocas.
Foi exatamente esse o espetáculo ao eleitor no debate promovido pela TV Globo na última terça-feira (29). Com a ausência da governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP) . Leandro Grass (PT), Ricardo Cappelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo) tiveram uma oportunidade de ouro nas mãos. Tinham tempo de sobra, espaço em horário nobre e a atenção do eleitor para apresentar o que pretendem fazer pelo DF nos próximos quatro anos.
O que entregaram, porém, foi um debate de nível rasteiro, apelativo e sem qualquer substância.
Em vez de debaterem soluções para o transporte público, mobilidade, segurança e geração de empregos. Grass, Cappelli, Belmonte e Caputo preferiram transformar o estúdio em um palco de ataques orquestrados, acusações levianas e invasão da vida pessoal e familiar da candidata ao governo Celina Leão. Esqueceram o básico: política de alto nível se faz com projetos, metas e respeito ao eleitor, não com apelação e baixaria.
Ao recorrerem à tática da terra arrasada e do ataque ad hominem (argumento contra a pessoa) os candidatos trataram o eleitor como se ele não tivesse discernimento, ignorando que o cidadão vive a cidade no dia a dia e sabe reconhecer quando alguém tem propostas de verdade e quando está apenas apelando por falta de conhecimemto.
Um debate eleitoral só tem valor quando serve ao futuro. É o momento de comparar planos de governo, debater números e cobrar viabilidade de ideias. Quando vira um festival de ataques pessoais e acusações orquestradas, perde o sentido e desrespeita a população.
Os candidatos parecem esquecer que a memória do eleitor não é curta. No próximo domingo (04), ao lado da urna, o brasiliense saberá diferenciar quem tem capacidade e projetos para administrar o Distrito Federal daqueles que só sabem apontar o dedo, acusar e rebaixar a política ao seu nível mais rasteiro.



