A formação da nova base política de Celina Leão (PP) foi discutida pela governadora durante sabatina promovida pelo Metrópoles. Ao comentar a aproximação com o PSD, a candidata à reeleição afirmou que a composição não foi construída em torno de cargos, mas da incorporação de propostas da legenda ao debate sobre os rumos do Distrito Federal.
Celina afirmou que o partido passou a integrar o grupo político com a possibilidade de apresentar contribuições para diferentes áreas da administração. Entre os temas citados pela governadora estão saúde, segurança pública e políticas destinadas às mães atípicas. “Minha conversa com o PSD nunca teve como ponto central a distribuição de cargos. O que ofereci foi a oportunidade de colocar as ideias do partido dentro da gestão. Existem quadros qualificados na legenda, com propostas que podem ajudar o governo em várias frentes”, declarou.
A aproximação ocorreu em meio a uma reorganização do cenário político do DF. Antigos adversários de Celina passaram a integrar a mesma aliança, movimento que, segundo a governadora, mostra como as disputas partidárias podem mudar ao longo do tempo. “Hoje existem pessoas que já estiveram em confronto político comigo e que estão ao meu lado. Isso deixa claro que boa parte daqueles embates estava ligada às circunstâncias partidárias, e não a uma questão pessoal”, afirmou.
A governadora também foi questionada sobre o peso político de José Roberto Arruda após a decisão que impediu o ex-governador de disputar novamente o Palácio do Buriti. O PSD, que tinha Arruda como uma de suas principais referências na disputa, posteriormente declarou apoio à candidatura de Celina.
Na entrevista, Celina afirmou que alguns integrantes da base ainda demonstram preocupação com possíveis manifestações de Arruda. Ela, porém, defendeu que a influência de uma liderança política não deve ser confundida com controle sobre o eleitor. “Há pessoas que ainda ficam receosas com uma eventual declaração do ex-governador. Eu respeito Arruda, mas isso não significa que ele possa determinar o comportamento eleitoral de alguém. O voto é uma decisão individual”, disse.
A candidata também criticou a tentativa de transformar a eleição em uma disputa baseada apenas na rejeição a um nome. Segundo ela, a escolha do eleitor não pode ser orientada por uma determinação externa. “Não considero produtivo pedir que alguém vote apenas para impedir a eleição de outra pessoa. O eleitor precisa avaliar aquilo que está sendo apresentado e fazer sua escolha por conta própria”, afirmou.
O tema voltou à tona quando Celina comentou o último debate eleitoral. Em tom irônico, a governadora disse ter percebido uma supervalorização da figura de Arruda nas discussões. “Em alguns momentos, a impressão era de que estavam colocando Arruda em uma posição quase intocável. O eleitor, porém, consegue enxergar esse tipo de movimento e formar sua própria opinião”, declarou.
Para Celina, a reorganização da base e a chegada de antigos adversários ao mesmo grupo mostram uma campanha marcada por mudanças nas alianças. A governadora encerrou o tema reforçando que nenhuma liderança política pode reivindicar a decisão que será tomada pelo eleitor nas urnas. “Não existe dono de voto. Nem Arruda, nem eu, nem qualquer outra pessoa pode decidir pelo cidadão. Cada eleitor vai escolher o caminho que considerar adequado”, concluiu.



