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PL avança nas urnas e terá a maior bancada do Senado desde a Constituição de 1988

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O Partido Liberal (PL) alcançou uma vitória histórica nas urnas e passará a ocupar 28 das 81 cadeiras do Senado Federal a partir de fevereiro de 2027. Com a conquista de 19 das 54 vagas em disputa no pleito, a legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro formará a maior bancada partidária no início de uma legislatura desde a promulgação da Constituição de 1988, superando o recorde do MDB (então PMDB), que iniciou o ano de 1999 com 27 congressistas.
O resultado altera profundamente a dinâmica de poder na Casa Alta do Congresso Nacional. Ao contrário das legislaturas recentes, marcadas por um equilíbrio relativo entre blocos moderados, o PL sozinho concentrará mais de um terço do Plenário. A segunda e a terceira maiores bancadas a partir do próximo ano — PT, com nove senadores, e MDB, com oito — não chegam a somar, juntas, a força numérica da sigla liberal.
Imagem:Agência Senado

Mapa da expansão e o avanço nos Estados

A avassaladora presença do PL na renovação de dois terços do Senado foi impulsionada por um desempenho inédito nas disputas regionais. Proporcionalmente, a sigla arrematou 35,2% dos assentos em jogo neste  pleito ano — marca histórica apenas superada pela eleição de 1998, quando o PMDB conquistou 44,4% das vagas, em um contexto em que apenas 27 cadeiras eram disputadas.
A hegemonia liberal ficou evidenciada na conquista simultânea das duas vagas disponíveis num mesmo Estado. O partido fez a chamada “dobradinha” em cinco unidades da Federação: Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina. Trata-se de um feito inédito sob a vigência da Carta de 1988, visto que o recorde prévio pertencia ao antigo PFL, que obteve o feito em três Estados nas eleições de 1994 e 2002.
A nova configuração considera ainda a vacância gerada por dois senadores eleitos para os governos estaduais no primeiro turno: Cleitinho (Republicanos-MG), que abrirá espaço para o primeiro suplente Alex Diniz (PL), e Sergio Moro (PL-PR), cuja vaga ficará com Luís Felipe Cunha (União).

Desidratação do centro e reconfiguração partidária

Enquanto o PL isola-se na liderança do Plenário, o cenário geral reflete a desidratação do centro político e o enxugamento do quadro partidário. O PSD despenca como o principal derrotado das urnas senatórias: a sigla, que iniciou a atual legislatura com 15 parlamentares e figurava como maior bancada no começo deste ano com 13, encolherá para apenas cinco integrantes em 2027.
O resultado do pleito também consolida o processo de afunilamento partidário iniciado nas últimas reformas eleitorais. Em 2018, última vez em que dois terços da Casa foram renovados, 20 partidos elegeram representantes. Desta vez, apenas 13 siglas garantiram assentos no Senado. Das legendas que obtiveram êxito há oito anos, sete foram extintas por fusões ou incorporações — como DEM e PSL, fundidos no União Brasil, e PTB e Patriota, unidos no PRD.
Paralelamente, a bancada feminina registrará a maior presença da história do Senado: 12 mulheres foram eleitas no pleito, elevando a representação total das parlamentares para 18 cadeiras na posse de 2027.
Agência Senado
Fonte: Agência Senado

Variáveis judiciais e o segundo turno

Apesar da projeção consolidada, o desenho final das bancadas ainda depende de definições jurídicas e dos desdobramentos da votação em segundo turno nos Estados, marcada para o próximo dia 25.
No campo judicial, a vaga conquistada por Deltan Dallagnol (Novo) no Paraná permanece sub judice. Declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023, o ex-procurador concorreu amparado por decisão do TRE-PR. Um recurso interposto pela acusação no TSE levou o ministro relator Floriano de Azevedo a indeferir a candidatura, mas a eficácia da decisão acabou suspensa pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, até o julgamento pelo Plenário do tribunal. Caso a inelegibilidade seja confirmada, uma nova eleição será convocada no Estado.
No âmbito executivo, três senadores com mandatos até 2031 disputam o governo de seus Estados na segunda rodada de votação. Eventuais vitórias de Alan Rick (Republicanos-AC) e Omar Aziz (PSD-AM) alterarão a distribuição de cadeiras em favor do PSD e do PT, respectivamente, em função da filiação de seus primeiros suplentes. Caso a senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO) vença a disputa em Tocantins, o mandato permanecerá sob o controle do mesmo partido.

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