O candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass (PT), deixou de lado o vermelho e a estrela do partido em um vídeo de campanha para o segundo turno. Na peça, ele aparece diante de um fundo branco, ao lado do número 13 em laranja, sem o símbolo que identifica a legenda desde a sua fundação.
A mudança ocorre em um cenário desfavorável ao petista. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, 8, mostra a governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), com 60% das intenções de voto válidos no segundo turno, contra 40% de Grass. A diferença, de 20 pontos porcentuais, é a que a campanha petista tentará reverter até o dia da votação.
A alteração na identidade visual passa a impressão de uma tentativa deliberada de reduzir a associação direta do candidato com a marca do PT. O Distrito Federal tem um eleitorado majoritariamente conservador e de centro-direita, que historicamente apresenta resistência ao partido. Em segundos turnos, candidatos que enfrentam alta rejeição à sigla costumam recorrer a esse tipo de ajuste para dialogar com eleitores que não se identificam com ela.
O movimento, no entanto, tem limites. Grass mantém o número 13, que é o do PT e o que o eleitor terá de digitar na urna, além de continuar sendo o candidato apoiado por Lula. A mudança, portanto, é de forma e não de legenda: altera a aparência da campanha, mas não o partido que ela representa.
A estratégia também pode ter custo político. Ao retirar o vermelho e a estrela, a campanha corre o risco de causar estranhamento entre eleitores mais engajados do partido, que podem interpretar o gesto como um distanciamento da própria história da sigla. O desafio de Grass é ampliar o diálogo com o eleitor de centro sem enfraquecer o apoio de sua base.
Se a campanha de Grass julgou necessário trocar o vermelho por laranja e retirar a estrela do vídeo, é porque avaliou que esses símbolos, que unem o eleitor petista, afastam justamente o eleitor que o candidato almeja conquistar no segundo turno.
A questão que fica em aberto é se um candidato consegue se aproximar de um eleitorado que resiste ao PT escondendo as marcas do partido, mas mantendo o número, o apoio de Lula e a legenda que as cores e a estrela sempre representaram.
Com 20 pontos de desvantagem para Celina Leão, a resposta virá dia 25 das urnas, onde o eleitor escolherá sem paletas de cores,sem fundo branco,só ele com a sua consciência .



