Um espaço que já recebeu grandes nomes da música brasileira e marcou a vida social de Brasília está prestes a ganhar uma nova função. O Senado Federal prepara a transformação do antigo Clube do Servidor em um complexo cultural com exposições, atividades educativas e áreas de convivência. Localizado às margens do Lago Paranoá, o terreno ocupa 80 mil metros quadrados, e a primeira etapa do Senado Cultural tem inauguração prevista para dezembro de 2026.
A proposta prevê a recuperação de áreas que permaneceram abandonadas por décadas. Além dos espaços destinados a exposições, o projeto inclui anfiteatro, playground, quadras esportivas e áreas para piqueniques. A iniciativa busca conciliar a preservação do patrimônio existente com a implantação de estruturas adequadas às atividades culturais e educativas.
O antigo salão de baile terá papel central nessa transformação. Palco de festas e apresentações musicais, o ambiente será adaptado para receber exposições, com climatização, tratamento térmico e acústico e sistemas de prevenção contra incêndios. A programação deverá contar com três mostras rotativas, e a primeira, intitulada “Senado em Movimento: 200 anos de história”, está prevista para a inauguração.
As intervenções também abrangem as áreas externas e as estruturas hidráulicas do complexo. Durante os trabalhos, as equipes localizaram dois espelhos d’água que estavam enterrados e iniciaram a recuperação dessas estruturas. O antigo reservatório também passa por reforço estrutural, e a expectativa é que um dos espelhos d’água esteja pronto para a abertura do espaço.
O estado de conservação do imóvel tornou a recuperação mais complexa. Segundo Luan Ozelim, coordenador de Projetos e Obras de Infraestrutura do Senado, o local apresentava danos em diferentes pontos, como vidros quebrados, telhas retiradas, forros comprometidos, postes derrubados e cabos elétricos arrancados. Os banheiros também precisaram ser reconstruídos após a retirada de louças e equipamentos.
O cronograma de implantação foi dividido em quatro etapas. A primeira contempla os blocos Administrativo e de Exposições, além de intervenções na infraestrutura, como a instalação da guarita, a recuperação das vias internas, a adequação do estacionamento e a implantação da central de água gelada e do eletrocentro. Nas etapas seguintes, estão previstas a implantação do Espaço da Democracia, do Espaço Brasília e do Bloco Educativo.
Apesar das adaptações, as características arquitetônicas do conjunto serão preservadas. A fachada principal, marcada por formas elípticas, será mantida, enquanto as demais passarão por trabalhos de recuperação do mármore branco e do mármore rosa utilizado nas varandas.
A história do complexo começou antes mesmo de sua inauguração. Em 1973, o arquiteto e engenheiro civil Armando Favato desenvolveu o projeto de um clube inicialmente destinado aos servidores do Ministério da Educação e Cultura. Posteriormente, por determinação do presidente Ernesto Geisel, o acesso foi ampliado para funcionários públicos de diferentes órgãos da capital.
Inaugurado em 1976, o Clube do Servidor Civil contava com piscinas, quadras poliesportivas e salões para eventos. Na década de 1980, o endereço passou a integrar o circuito musical de Brasília, recebendo artistas como Marina Lima, Alceu Valença e Legião Urbana. A movimentação diminuiu nos anos seguintes, até o fechamento ao público, em 1997.
Após o encerramento das atividades, o imóvel teve outros usos pontuais. Em 2009, a administração foi transferida para a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (Sindjus). Naquele mesmo ano, o complexo recebeu a mostra Casa Cor Brasília, durante três meses. O antigo salão de baile também serviu de cenário para o filme Insolação, dirigido por Daniela Thomas e Felipe Hirsch.
Em 2018, um acordo envolvendo o Senado, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) estabeleceu a previsão de criação do Centro Cultural dos Poderes da União. Posteriormente, o imóvel passou a ser destinado exclusivamente ao Senado Federal, que assumiu a condução das obras do Senado Cultural.
A inauguração prevista para dezembro marcará o início de uma nova fase para o complexo, cuja implantação continuará após a entrega da primeira etapa. A proposta é recuperar um espaço histórico de Brasília, preservar suas características arquitetônicas e dar ao local uma nova função cultural, educativa e de convivência.



