A mudança no comando do Corpo de Alunos do Colégio Militar Dom Pedro II teve um novo desdobramento. Gilberto Hideki Ueda, retirado da função após a agressão contra um estudante de 13 anos, foi transferido para o Grupamento de Aviação Operacional do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF).
A saída de Ueda do posto no colégio ocorreu por determinação da governadora Celina Leão. A decisão foi tomada depois que o filho do oficial passou a ser apontado como suspeito de agredir um colega do 7º ano. O adolescente sofreu fraturas no rosto e precisou ser levado de ambulância para atendimento médico.
Com o afastamento, Ueda deixou de exercer funções no comando do Corpo de Alunos, mas permaneceu nos quadros da corporação. A nova lotação do oficial será no grupamento responsável pelas atividades de aviação operacional dos bombeiros.
O episódio que desencadeou a mudança ocorreu em 4 de agosto. Conforme relatos sobre o caso, alunos haviam participado de uma partida de handebol e retornaram ao colégio. Já no vestiário, uma brincadeira com bolas de papel teria antecedido a agressão.
Uma das bolas de papel teria atingido o estudante do 8º ano. Irritado, ele teria corrido atrás dos colegas até alcançar o adolescente de 13 anos. A vítima acabou no chão e, segundo os relatos, passou a receber sucessivos socos na região do rosto.
Dois monitores precisaram intervir para encerrar a agressão. A gravidade dos ferimentos levou o próprio colégio a solicitar uma ambulância, que encaminhou o menino ao Hospital Alvorada.
Os exames constataram fratura multifragmentada no osso nasal esquerdo e desvio do septo nasal. O adolescente também apresentou pansinusopatia, sem sinais de processo inflamatório agudo. A recomendação médica é de afastamento por 21 dias, período em que ele também ficará impedido de praticar atividades físicas.
Receio dentro do colégio
A apuração do episódio também trouxe à tona o relato de que o adolescente evitou reagir aos golpes por medo das consequências. A vítima teria dito a pessoas próximas que sabia que o agressor era filho de um oficial de alta patente do CBMDF e que temia sofrer alguma punição caso tentasse se defender.
A família informou ainda que o aluno apontado como responsável pelas agressões pratica judô.
A ocorrência foi registrada na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA 1), e o menino passou por exame no Instituto de Medicina Legal (IML).
Paralelamente à investigação policial, o Colégio Militar Dom Pedro II abriu procedimentos internos para esclarecer o episódio. O Conselho Escolar também foi convocado como parte da apuração.
Em manifestação sobre o caso, o CBMDF informou que a vítima recebeu assistência da escola e que os responsáveis pelos estudantes foram procurados. A corporação confirmou ainda a exoneração de Ueda da função de comandante do Corpo de Alunos e afirmou que as providências adotadas buscam esclarecer os fatos, preservando a privacidade dos adolescentes envolvidos.



