O aumento no número de quedas entre pessoas idosas tem se consolidado como um dos principais desafios da saúde pública no Distrito Federal. Situações cotidianas, como caminhar, subir um degrau ou mudar de posição, podem resultar em acidentes capazes de comprometer a autonomia, a mobilidade e a qualidade de vida dessa população.
Em 2025, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência do Distrito Federal registrou cerca de 17 mil atendimentos relacionados a quedas envolvendo idosos. A maioria dos casos foi provocada por escorregões, tropeços ou passos em falso. O volume representa um crescimento de 10,7% em comparação com o ano anterior, reforçando a necessidade de ações preventivas permanentes.
Para enfrentar esse cenário, a rede de atenção primária à saúde tem investido em estratégias que integram exercício físico, estímulos cognitivos e educação em saúde. Entre as iniciativas estão os circuitos multissensoriais desenvolvidos nas unidades básicas de saúde, que trabalham de forma conjunta força muscular, equilíbrio, coordenação motora e atenção.
Na UBS 1 do Areal, o circuito é realizado semanalmente, sempre às terças-feiras, às 8h, e reúne, em média, 20 idosos por encontro. Durante as atividades, os participantes realizam exercícios funcionais adaptados à faixa etária e práticas voltadas ao estímulo da memória e da concentração. Para ampliar os resultados, os profissionais da unidade também disponibilizam conteúdos em um canal no YouTube, incentivando a continuidade das atividades em casa.
A fisioterapeuta Núbia Passos, que coordena a ação na unidade, explica que a proposta foi estruturada para contemplar diferentes dimensões do envelhecimento. “O objetivo não é apenas fortalecer o corpo, mas considerar também aspectos emocionais, cognitivos, funcionais e sociais. Isso nos permite organizar atividades mais adequadas à realidade e às necessidades do grupo”, afirma.
Além das práticas corporais, os encontros incluem orientações em saúde. A farmacêutica Tatiana Borges chama atenção para o uso correto de medicamentos e para os riscos da automedicação entre idosos. “Muitos utilizam remédios por conta própria ou por indicação de terceiros, especialmente medicamentos que podem causar sonolência ou tontura. Sem acompanhamento profissional, isso aumenta o risco de desequilíbrio e de fraturas”, alerta.
A alimentação também integra o cuidado oferecido aos participantes. A nutricionista Jesuana Lemos conduz momentos de educação alimentar ao longo das atividades. “É comum que, com o passar do tempo, os idosos reduzam o consumo de alimentos mais nutritivos e recorram com maior frequência aos ultraprocessados. Por isso, buscamos estimular escolhas mais saudáveis, com orientações simples e compatíveis com a rotina deles”, ressalta.
Os impactos positivos da iniciativa são percebidos pelos próprios idosos. A aposentada Magali Soares, de 86 anos, que frequenta o grupo há três anos, relata mudanças no dia a dia. “A gente se movimenta mais, convive com outras pessoas e passa a se sentir mais confiante para realizar as atividades do cotidiano”, conta.
O grupo é destinado a idosos que têm a UBS 1 do Areal como unidade de referência, após avaliação da equipe multiprofissional. Pessoas de outras regiões devem procurar a unidade básica de saúde do próprio território para conhecer os grupos disponíveis.
Outro fator que contribui para o aumento do risco de quedas nessa faixa etária é a osteoporose, doença caracterizada pela perda de densidade óssea e considerada a principal causa de fraturas após os 50 anos. Com o envelhecimento da população, a condição tende a se tornar ainda mais frequente.
Estimativas da Fundação Internacional de Osteoporose indicam que uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens acima dessa idade sofrerão fraturas relacionadas à doença. O reumatologista Rodrigo Aires, referência técnica distrital da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, explica que a osteoporose costuma evoluir sem apresentar sintomas evidentes. “Na maioria dos casos, a doença não provoca dor e só é identificada após a ocorrência de fraturas, que podem atingir regiões como quadril, coluna e costelas”, destaca.
Segundo o especialista, o tratamento exige uma abordagem combinada. “O acompanhamento envolve medicamentos, suplementação, exercícios físicos e controle dos fatores de risco. Quando há adesão ao tratamento e mudança de hábitos, é possível reduzir fraturas, evitar complicações e preservar a autonomia”, afirma.
Em 2024, a rede pública do Distrito Federal realizou cerca de 27 mil atendimentos em reumatologia. Em casos de suspeita ou diagnóstico de osteoporose, o primeiro atendimento deve ocorrer na unidade básica de saúde, que avalia o paciente e, se necessário, realiza o encaminhamento para acompanhamento especializado. O acesso aos medicamentos ocorre pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, pelo Centro Especializado em Saúde da Mulher ou pela farmácia ambulatorial do Hospital de Base, conforme o perfil clínico.




