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Celina rebate Lula após críticas sobre BRB

Governadora afirmou que instituição pertence ao Distrito Federal e não deve ser usada como instrumento eleitoral

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A disputa política no Distrito Federal ganhou um novo eixo: o Banco de Brasília (BRB). Em meio às negociações para viabilizar uma operação de R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu levar o tema para o palanque eleitoral e atacou diretamente a governadora Celina Leão (PP).

A resposta veio no dia seguinte, com Celina afirmando que o  presidente de misturar a crise financeira do banco com a disputa eleitoral de 2026.

O confronto ocorreu na noite de quarta-feira (16), durante um ato político em Ceilândia que reuniu Lula e o candidato petista ao governo do Distrito Federal, Leandro Grass. Ao abordar a situação do BRB, o presidente atribuiu a crise à relação entre a instituição e o Banco Master e responsabilizou a gestão anterior do governo brasiliense.

“A governadora, de forma cínica e mentirosa, tenta jogar a responsabilidade para o governo federal. Quem quebrou o BRB foi a ligação entre o Ibaneis e o Vorcaro, do Banco Master. O BRB comprou títulos que não existiam: R$ 12 bilhões.”

A fala colocou o banco público no centro de uma disputa que, até então, vinha sendo travada sobretudo nos campos financeiro e jurídico. O BRB é controlado pelo Distrito Federal e tornou-se peça importante nas discussões sobre a operação de crédito que depende de garantia da União.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Celina preferiu responder ao presidente sem repetir o tom das acusações e enquadrou o episódio como uma tentativa de transformar uma instituição pública em instrumento de disputa partidária.

“Eu lamento muito que o presidente Lula tem escolhido partir para ofensa pessoal, fazendo várias agressões a uma governadora mulher. Será que ele usaria as mesmas palavras para se dirigir a um governador homem? Eu não vou responder a ofensa com ofensa, vou responder com fatos.”

Na sequência, a governadora procurou estabelecer uma linha de separação entre a eleição e o funcionamento do banco. A estratégia é apresentar o BRB como uma instituição de interesse público, e não como patrimônio do grupo político que ocupa o Palácio do Buriti.

“O presidente pode me atacar, apoiar meu adversário e fazer campanha contra mim. O que você não pode fazer é transformar o BRB em uma arma eleitoral. O BRB não é meu e nem de partido algum, é um patrimônio de Brasília. Tem milhares de funcionários, clientes, empresas e famílias que dependem dele.”

Não mistura alho com bugalho

A dimensão política do confronto ganhou outro componente quando Lula mencionou o Bolsa Família durante o discurso. O presidente afirmou que havia uma relação entre a necessidade de recursos e a manutenção do pagamento do programa.

“E agora estão dizendo para mim: ‘senhor presidente, se o senhor não der dinheiro, não vai pagar o Bolsa Família’. Nós não vamos deixar o povo sem dinheiro. Mas não vamos dar dinheiro para o BRB.”

O Bolsa Família é um programa federal administrado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, com os pagamentos operacionalizados pela Caixa Econômica Federal. O BRB não é responsável pela gestão ou pela distribuição dos recursos do programa.

A operação em discussão entre o GDF e a União, portanto, não se confunde com o financiamento do Bolsa Família. O pedido do Distrito Federal envolve a obtenção de garantia federal para um crédito de R$ 6,6 bilhões junto ao FGC, cuja dívida, segundo o governo local, será assumida pelo próprio DF.

No vídeo publicado a  governadora  citou as operações de crédito dos Correios para questionar a resistência do governo federal em conceder a garantia solicitada pelo Distrito Federal.

“Causa estranheza que o governo federal dê aval de empréstimo bilionários aos Correios e transforma o aval do BRB em disputa política. Negar a garantia para o crédito ao BRB é uma decisão política que terá nome, autor e consequência. Não dá mais para virar as costas hoje e lavar as mãos amanhã. Presidente Lula, eleição passa, governos passam, partidos passam, mas o nosso DF fica. O senhor deveria ser presidente de todos os brasileiros, inclusive dos brasilenses.”

Disputa chega ao STF

O impasse deixou o campo político e avançou para o Judiciário. O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou prazo de 15 dias para que a União, o Banco Central e o FGC prestem esclarecimentos sobre o pedido apresentado pelo governo do Distrito Federal.

A decisão coloca no centro da discussão a tentativa do GDF de obter a garantia federal para a operação de crédito e ocorre em meio ao aumento da temperatura da disputa eleitoral no Distrito Federal. O episódio envolvendo Lula e Celina acrescenta uma dimensão política a uma negociação que também tem implicações financeiras para o governo local e para o próprio BRB.

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