Mais do que oficializar a candidatura à reeleição, a convenção que reuniu a base aliada de Celina Leão (PP), neste domingo (2), serviu para revelar o desenho da campanha que a governadora pretende apresentar ao eleitorado.
Em vez de concentrar a fala em embates com adversários ou em anúncios de novas medidas, Celina estruturou o discurso em torno de três eixos: a defesa da continuidade administrativa, o fortalecimento das políticas sociais — especialmente para as mulheres — e a valorização da experiência como requisito para governar o Distrito Federal.
Ao longo da fala, a governadora procurou construir uma narrativa que conecta sua trajetória política às funções que ocupou nos últimos anos. Lembrou a atuação como deputada federal, destacou o período em que esteve à frente das políticas para mulheres como vice-governadora e afirmou que a chegada ao comando do Executivo representou a oportunidade de transformar iniciativas legislativas em ações permanentes de governo.
“O mandato serve para cuidar das pessoas, para transformar a vida das pessoas”, afirmou, ao resumir a visão que pretende levar para a campanha.
A proteção às mulheres ocupou um dos espaços mais relevantes do discurso. Celina citou a ampliação da rede de acolhimento às vítimas de violência, o auxílio-aluguel destinado a mulheres em situação de vulnerabilidade, a expansão das Casas Abrigo e o programa Viva Flor como exemplos de políticas públicas que, segundo ela, deixaram de ser apenas propostas para se consolidarem como instrumentos de proteção social.
Embora o discurso tenha mantido forte tom social, o foco da campanha não ficou restrito à assistência. A governadora também buscou reforçar uma imagem de gestora ao defender as decisões tomadas desde que assumiu o Palácio do Buriti. Ao recordar o cenário encontrado no início da administração, afirmou que a prioridade foi reorganizar as finanças antes de ampliar investimentos.
“Quando o mar está alto, tem que ser gente séria, gente que tem preparo, gente que tem experiência”, disse, em uma das passagens mais simbólicas do pronunciamento.
A referência à experiência apareceu como um contraponto recorrente durante a convenção. Sem mencionar diretamente concorrentes, Celina procurou transmitir a ideia de estabilidade administrativa e capacidade de enfrentar momentos de maior pressão fiscal e operacional, transformando esse argumento em um dos principais nortes da futura campanha.
Na prestação de contas apresentada aos apoiadores, a governadora destacou medidas voltadas à saúde pública, como a contratação de profissionais, a compra de cirurgias e consultas na rede privada para reduzir filas e a reforma de hospitais. Também mencionou investimentos em infraestrutura urbana, regularização fundiária, expansão da iluminação pública, pavimentação de áreas ainda desassistidas e ações voltadas à população em situação de rua.
Outro aspecto recorrente foi a defesa da responsabilidade fiscal como condição para ampliar políticas públicas. Celina afirmou que a reorganização das contas permitiu retomar investimentos e ampliar a capacidade de resposta do governo em áreas consideradas prioritárias.
Ao abordar o desenvolvimento econômico, a governadora voltou a defender a parceria com a iniciativa privada como instrumento para estimular investimentos e geração de empregos, ao mesmo tempo em que sustentou que o Estado deve concentrar esforços no atendimento às parcelas mais vulneráveis da população.
“O governo só serve para cuidar de quem mais precisa”, afirmou.
A convenção também deixou evidente que a estratégia eleitoral da governadora buscará enfatizar a unidade da coligação. Ao apresentar Gustavo Rocha (Republicanos) como candidato a vice-governador e destacar as candidaturas de Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) ao Senado, Celina mostrou que a aliança chega à disputa com uma composição definida desde o início da campanha.
No encerramento, o tom político deu lugar a uma mensagem mais pessoal. Ao agradecer familiares, aliados e lideranças religiosas, a governadora afirmou que pretende enfrentar o período eleitoral respondendo às críticas com os resultados da administração.
“A minha resposta é o trabalho”, declarou.
Mais do que um ato de homologação, a convenção serviu como uma apresentação do roteiro que deverá orientar a campanha da governadora nos próximos meses: uma candidatura sustentada pela defesa da continuidade administrativa, pela valorização das entregas da gestão e pelo cuidado com a população.



