O universo dos jogos eletrônicos também pode ser um espaço de aprendizagem para crianças e adolescentes. No Distrito Federal, estudantes da rede pública estão tendo contato com o processo de criação de games por meio do Gamifica-DF, iniciativa que estimula o interesse pela tecnologia e permite explorar atividades que vão além de jogar.
Aos 15 anos, Sarah Fernandes já participa desse processo. Aluna do Centro Educacional do Lago, ela desenvolve com colegas o jogo Phage Recall. A experiência trouxe de volta o interesse da adolescente por pixel art, recurso utilizado na criação de imagens digitais que marcou uma nova etapa de sua relação com a área.
Para outros jovens que desejam experimentar esse caminho, Sarah tem uma sugestão objetiva: “Simplesmente começar”. A estudante incentiva os interessados a tirar ideias do papel e descobrir, na prática, as possibilidades da criação digital.
O acesso aos recursos necessários, no entanto, não é igual para todos. Davi Leite Bezerra, de 13 anos, do Centro de Ensino Fundamental 5 de Taguatinga, não tem computador e considera que o celular não oferece condições suficientes para desenvolver jogos. Lucas Gabriel, de 14 anos, colega da mesma unidade, destaca a necessidade de mais professores e monitores para orientar os alunos.
A realidade dos estudantes ajuda a dimensionar a importância de iniciativas que oferecem contato com a tecnologia. O Gamifica-DF surgiu de uma parceria entre o Instituto Bombeiros de Responsabilidade Social e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Distrito Federal. Atualmente, o projeto conta com 16 polos e duas carretas itinerantes para ampliar o acesso às ferramentas digitais.
O interesse pela área também acompanha mudanças no cenário nacional. Em 2024, o país instituiu o Marco Legal dos Jogos Eletrônicos, por meio da Lei nº 14.852, que estabelece diretrizes para o setor.
Ao apresentar aos estudantes o processo de desenvolvimento de jogos, o Gamifica-DF abre espaço para novas experiências de aprendizagem e descoberta. Para que mais jovens avancem nessa área, porém, o acesso a equipamentos e à orientação especializada continua sendo um ponto importante.



