A circulação clandestina de medicamentos usados para emagrecer avançou no Distrito Federal em 2026. De janeiro a maio, 1.636 unidades foram retiradas de circulação pelas autoridades de fiscalização. As apreensões somam aproximadamente R$ 1,35 milhão e já superam, com ampla diferença, o volume registrado ao longo de todo o ano passado.
Brasília ocupa uma posição estratégica nesse fluxo. O aeroporto da capital concentra boa parte das interceptações e figura entre os principais pontos identificados para a entrada desses produtos no país.
As cargas incluem, sobretudo, medicamentos à base de tirzepatida, substância indicada para o tratamento do diabetes e da obesidade. Parte dos produtos apreendidos, no entanto, não possui autorização para entrar no Brasil nem comprovação de regularidade sanitária.
As apurações apontam o Paraguai como origem de muitos dos medicamentos encontrados pelas equipes. A entrada ocorre por contrabando ou importação irregular e alimenta uma cadeia de comercialização que se espalha por diferentes canais.
Depois de ingressarem no país, as canetas podem chegar a clínicas de estética, distribuidores não autorizados e outros estabelecimentos irregulares. A venda pela internet também integra esse circuito, com ofertas feitas por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens.
O problema também é observado nas fiscalizações realizadas dentro do próprio Distrito Federal. Entre o início de 2025 e julho deste ano, quase 5 mil canetas e ampolas voltadas ao emagrecimento foram apreendidas pela Vigilância Sanitária em estabelecimentos fiscalizados.
No mesmo período, centenas de autos de infração foram emitidos. Entre as irregularidades encontradas estão a ausência de documentação fiscal, a procedência desconhecida, as suspeitas de falsificação e os indícios de contrabando. Também houve casos envolvendo farmácias de manipulação que realizavam vendas em larga escala em desacordo com as normas sanitárias.
A atuação das autoridades chegou às clínicas de estética em junho. Três estabelecimentos no DF foram alvo de uma operação integrada da Polícia Federal, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Vigilância Sanitária local.
A fiscalização encontrou medicamentos sem comprovação de regularidade sanitária, além de problemas na documentação e na rastreabilidade. Possíveis irregularidades na importação e na aplicação dos produtos também passaram a ser investigadas.
A procedência desconhecida transforma o uso dessas canetas em um risco adicional para o consumidor. Não há garantia sobre a composição, a concentração da substância ou as condições de conservação durante o transporte até o produto chegar ao usuário.
A conservação inadequada é especialmente preocupante porque esses medicamentos dependem de condições específicas de armazenamento. A quebra da cadeia de refrigeração pode comprometer a qualidade e a eficácia do produto.
Entre os problemas associados ao uso de medicamentos irregulares estão infecções, pancreatite, desidratação, alterações nos níveis de glicose e reações alérgicas graves. Quadros mais severos podem exigir internação e representar risco de morte.
As autoridades recomendam atenção à procedência antes da compra. Preços muito abaixo dos praticados no mercado, ausência de nota fiscal ou bula, lacres danificados, falhas nas embalagens e vendas fora de farmácias autorizadas estão entre os sinais que podem indicar irregularidades.
As investigações permanecem em andamento para identificar a origem dos produtos e os responsáveis por sua circulação, além de apurar possíveis crimes de contrabando, falsificação de medicamentos e outras infrações relacionadas à saúde pública.



