Mais do que garantir refeições a preços acessíveis, os restaurantes comunitários do Distrito Federal passaram a abrigar um novo tipo de serviço: o diálogo direto entre governo e população usuária. Nesta semana, as unidades de Arniqueira, Recanto das Emas e Paranoá recebem o Papo Social com Você, iniciativa que transforma esses espaços em pontos de escuta ativa da Secretaria de Desenvolvimento Social.
Em formato de audiência pública aberta, os encontros, sempre a partir das 15h, buscam aproximar a gestão das experiências vividas por quem depende diariamente do equipamento. A proposta é ouvir demandas, esclarecer dúvidas e encaminhar ajustes a partir da realidade relatada pelos frequentadores.
A rodada teve início na terça-feira (24), em Arniqueira, restaurante inaugurado em novembro de 2023. Nesta quarta-feira (25), a agenda segue no Recanto das Emas e será concluída na quinta-feira (26), no Paranoá.
Logo na primeira reunião, os relatos evidenciaram que o impacto das unidades vai além da segurança alimentar. A professora de balé Odalis Valerino destacou que o espaço integra a rotina dela e do marido. “ No país de onde venho não existe algo semelhante. Aqui encontramos não só alimentação, mas acolhimento. Mesmo sendo estrangeiros, somos tratados com respeito, e isso nos faz sentir pertencentes”, afirmou.
Outro depoimento partiu de um frequentador em situação de rua, que apontou o restaurante como um dos pilares de apoio em sua trajetória atual. “ Tive carreira e formação acadêmica, mas enfrentei a dependência química e perdi tudo. Hoje estou nas ruas, mas aqui consigo me alimentar e também sou acompanhado pelo Creas e pelo Centro Pop. Isso tem sido essencial para que eu tente reorganizar minha vida”, relatou.
As reuniões também abriram espaço para questionamentos sobre o funcionamento do serviço. O morador Paulo Henrique da Silva mencionou o tempo de espera nas filas e a reposição de alimentos em dias de maior movimento.
Ao responder, a secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra, afirmou que os prazos permanecem dentro do limite legal, mas reconheceu a necessidade de aprimoramento. “ O tempo médio de espera já está abaixo dos 30 minutos previstos na legislação. Ainda assim, estamos adotando medidas para reduzir esse intervalo. Em momentos de alta demanda, a reposição exige ajustes, e estamos estruturando o serviço para responder melhor a esses picos”, explicou.
Entre as medidas em andamento estão a ampliação do número de caixas para venda de fichas, o reforço dos balcões de atendimento e o cadastramento prévio dos frequentadores, que passam a utilizar tíquetes de identificação.
O sistema já funciona em unidades como Santa Maria, Itapoã, Paranoá e Sobradinho e deverá ser expandido gradualmente.
Ao incorporar a escuta diretamente no cotidiano dos equipamentos, a iniciativa converte restaurantes tradicionalmente voltados à alimentação em espaços permanentes de diálogo social, permitindo que a experiência dos usuários influencie ajustes na gestão do serviço.




