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Endividamento atinge mais as mulhere

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No Brasil, as mulheres continuam sendo as mais impactadas pelo endividamento e pela dificuldade de acesso ao crédito. Para muitas, a realidade financeira vai além das contas a pagar: elas são as únicas responsáveis pelo sustento da casa e ainda precisam conciliar trabalho e tarefas domésticas. Levantamentos recentes da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e da Serasa revelam o tamanho desse desafio.

Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgados pela CNC, mostram que 76,9% das mulheres estavam endividadas em fevereiro de 2025, contra 76% dos homens. Embora a diferença entre os gêneros tenha diminuído em relação ao ano anterior, o peso das dívidas segue maior para o público feminino.

Um dos principais fatores para isso é que muitas mulheres, principalmente as de baixa renda, sustentam sozinhas suas famílias. De acordo com a Serasa, em 33% dos lares brasileiros elas são as únicas provedoras. O número é ainda maior entre as famílias das classes D e E, onde 43% das mulheres arcam sozinhas com as despesas.

Mesmo assumindo a maior parte dos compromissos financeiros do lar, as mulheres enfrentam obstáculos na hora de conseguir crédito. O levantamento da Serasa aponta que 85% delas já tiveram pedidos negados. Entre os principais desafios, estão a dificuldade de aprovação (47%) e o endividamento acumulado (31%).

A solução para muitas tem sido renegociar dívidas. No Feirão Serasa Limpa Nome, plataforma que ajuda consumidores a regularizar pendências financeiras, as mulheres fecharam 25% mais acordos do que os homens. Isso indica um esforço maior para recuperar o crédito e evitar restrições no mercado.

Nos últimos 12 meses, as principais razões para buscar crédito foram despesas inesperadas (26%) e o pagamento do cartão de crédito (22%). Esses números evidenciam a falta de uma reserva de emergência e a necessidade de recorrer a financiamentos para lidar com imprevistos.

Além da preocupação com as contas, a maioria das mulheres precisa equilibrar o trabalho remunerado com as atividades domésticas. Segundo a Serasa, 90% das entrevistadas afirmam ter essa dupla jornada, o que impacta diretamente na sua saúde financeira e emocional.

 

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