A influência da imigração japonesa em Brazlândia passou a fazer parte da rotina de uma escola pública do Distrito Federal. Em 2026, o Centro Educacional (CED) Incra 8 tornou-se a primeira unidade rural de Brasília a oferecer ensino bilíngue de japonês, ampliando as oportunidades de aprendizagem para estudantes do ensino médio em tempo integral e fortalecendo os laços da instituição com uma das comunidades mais tradicionais da região.
O projeto foi implantado por meio de uma parceria entre a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) e a Fundação Japão, dentro do Programa de Educação Bilíngue Intercultural (Pebi). A proposta inclui aulas de japonês na programação extracurricular e aposta na aproximação entre idioma, cultura e história local.
A diretora da escola, Solange da Cunha, explica que a escolha da unidade ocorreu após visitas técnicas realizadas por representantes da Embaixada do Japão, que buscavam uma escola da rede pública para iniciar a iniciativa. “Os representantes vieram conhecer diferentes escolas da rede e procuravam um lugar que tivesse afinidade com a proposta. Quando analisaram nossa realidade, perceberam que havia um número expressivo de estudantes interessados e uma comunidade japonesa muito presente em Brazlândia. Isso fez com que a escola fosse escolhida para iniciar esse trabalho”, afirma.
Hoje, 75 dos cerca de 1,2 mil alunos matriculados na escola frequentam as aulas, realizadas duas vezes por semana, sempre no período da manhã.
O curso é conduzido pelo professor Gabriel Akito, cuja história se mistura à da própria instituição. Ele chegou ao Brasil ainda adolescente e estudou no CED Incra 8 sem dominar a língua portuguesa. Depois de concluir a educação básica, ingressou no curso de Letras – Japonês da Universidade de Brasília (UnB), foi aprovado em concurso da Secretaria de Educação e retornou à escola como docente.
Para Gabriel, a iniciativa representa mais do que ensinar vocabulário e gramática. “Para os estudantes descendentes, o curso fortalece o sentimento de pertencimento, porque a cultura deles passa a ser reconhecida também dentro da escola. Já para quem não tem essa origem, aprender um idioma tão diferente desde cedo amplia a capacidade de aprender novas línguas e oferece uma experiência de contato com outra cultura”, afirma.
As aulas estão disponíveis para estudantes matriculados no ensino médio em tempo integral que aderem ao currículo oferecido pela unidade. Embora o programa bilíngue tenha sido oficializado neste ano, a escola já desenvolvia ações voltadas à cultura japonesa, promovendo atividades culturais e incentivando projetos relacionados à arte, às tradições e aos costumes do país asiático.
Há mais de duas décadas na direção da escola, Solange afirma que a criação do curso atende a um desejo antigo da comunidade de Brazlândia. “A comunidade japonesa sempre demonstrou vontade de ver sua cultura mais presente na escola, e nós ainda não conseguíamos atender a esse pedido. Quando a parceria foi confirmada, a reação foi de muita alegria. Os estudantes abraçaram a ideia, as famílias participaram, e hoje percebemos um ambiente muito mais ativo e cheio de iniciativas”, destaca.
Natural de São Mateus (MA) e moradora do Distrito Federal desde os dois anos de idade, Solange afirma que uma escola rural também precisa desenvolver projetos conectados às características da comunidade onde está inserida.
Desde o sexto ano do ensino fundamental, o CED Incra 8 incentiva os estudantes a participarem de eventos relacionados à cultura japonesa e a desenvolverem trabalhos sobre arte, história e tradições orientais.
Gabriel compartilha da mesma avaliação e acredita que a educação tem papel essencial na construção de uma sociedade mais aberta às diferenças. “Ter contato com costumes e formas de pensar de outros países ajuda os alunos a enxergar o mundo com mais respeito e compreensão. Essa convivência faz com que eles estejam mais preparados para lidar com pessoas de diferentes culturas ao longo da vida”, conclui.



