Ao som de Stayin’ Alive, clássico dos Bee Gees, estudantes do Centro de Ensino Myriam Ervilha, em Água Quente, repetem os movimentos que podem significar a diferença entre a vida e a morte. A batida da música, usada mundialmente como referência para a ressuscitação cardiopulmonar (RCP), marca o ritmo dos treinamentos conduzidos pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF).
A escola é uma das 17 cívico-militares de gestão compartilhada que participam do Projeto de Atendimento Pré-Hospitalar (APH). A iniciativa leva para dentro das salas de aula técnicas de primeiros socorros e situações de risco do cotidiano: engasgos, hemorragias, convulsões, desmaios, intoxicações e até acidentes com bebês.
O programa atende à chamada Lei Lucas (Lei Federal nº 13.722/2018), aprovada após a morte do menino Lucas Begalli, de 10 anos, em um passeio escolar em Cordeirópolis (SP), em 2017. O garoto se engasgou com um cachorro-quente e não recebeu atendimento imediato.
O caso motivou a família a transformar a tragédia em mobilização nacional pela obrigatoriedade da capacitação em primeiros socorros de professores e funcionários da educação básica.
No DF, o projeto começa pelos monitores do CBMDF, que passam por treinamento intensivo. A partir daí, dois estudantes de cada turma são selecionados para vivenciar dois dias de instrução prática. Na segunda etapa, a formação será estendida aos professores e servidores das unidades escolares.
Os materiais utilizados manequins para simulação, kits de primeiros socorros, pranchas rígidas e insumos como gazes e ataduras — estão sendo adquiridos com recursos de emenda parlamentar do deputado distrital Roosevelt Vilela (PL), no valor de R$ 450 mil. A estratégia prevê que cinco escolas funcionem como bases de apoio, compartilhando os equipamentos com outras unidades após a realização do projeto.
As aulas, que misturam teoria e prática supervisionada por bombeiros da ativa e veteranos, acontecem no contraturno e podem durar até quatro horas. Atualmente, cerca de 800 estudantes, entre 9 e 18 anos, participam da iniciativa. A previsão é de que mais 856 jovens ingressem no próximo ciclo.
A recém-criada região administrativa de Água Quente, onde fica o CED Myriam Ervilha, tem apenas dois anos de existência e viu no projeto uma oportunidade de unir educação e cidadania.



