Em reunião realizada nesta quinta-feira (28), no Palácio Pedro Ludovico Teixeira, em Goiânia, o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) recebeu uma comitiva da Embaixada do Japão no Brasil para discutir um acordo estratégico voltado à exploração e ao processamento de terras raras em território goiano.
As negociações marcam um avanço no diálogo iniciado durante missão oficial de Caiado ao Japão, em julho, e podem consolidar Goiás como um dos principais polos mundiais na cadeia produtiva desses minerais considerados críticos para a transição energética global.
Reservas estratégicas
Estima-se que Goiás concentre cerca de 25% das reservas mundiais de óxidos de terras raras (OTR). Os 17 elementos químicos que compõem o grupo são utilizados em tecnologias de ponta — de turbinas eólicas a veículos elétricos, passando por equipamentos militares e data centers.
Hoje, a China domina mais de 80% do refino e separação desses minerais, etapas de maior valor agregado na cadeia produtiva. Nesse cenário, o interesse japonês representa uma tentativa de diversificação de fornecedores e de redução da dependência do mercado chinês.
Embora Goiás já realize a extração e a produção em escala comercial de alguns elementos — como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio —, o desafio é avançar para as etapas de separação e refino, hoje ausentes no país.
Caiado reforçou que não pretende limitar-se à exportação da matéria-prima.
“Nosso objetivo é atrair tecnologia e investimentos para que Goiás seja também um polo de processamento. Temos agilidade no licenciamento e garantimos condições para instalação de plantas industriais”, destacou o governador.
A fala ecoa na estratégia do governo estadual de consolidar uma cadeia de valor das terras raras, fortalecida pela recente sanção da Lei nº 23.597, que cria a Autoridade Estadual de Minerais Críticos. A medida prevê governança para o setor e abre caminho para a criação de um fundo de pesquisa, com potencial de atrair cooperação internacional.
Projetos em andamento
Atualmente, Goiás concentra projetos de grande porte no setor:
- Minaçu: a Serra Verde Pesquisa e Mineração (SVPM) já produz terras raras em escala comercial, sendo a única operação fora da Ásia nesse nível.
- Nova Roma: investimentos previstos em argilas iônicas podem chegar a R$ 2,8 bilhões, com expectativa de geração de 5,7 mil empregos.
- Aparecida de Goiânia: a chilena Aclara Resources inaugurou, em abril, uma planta fabril com aporte inicial de R$ 30 milhões.
As tratativas tiveram início durante a missão de Caiado ao Japão, em julho, quando o governador se reuniu com o ministro da Economia, Comércio e Indústria, Ogushi Masaki, que sinalizou interesse em estreitar parcerias estratégicas com Goiás.
Se confirmada, a parceria com o Japão pode reposicionar Goiás no cenário global de terras raras.



