Um projeto criado dentro de uma escola pública de Taguatinga vem mudando o futuro de centenas de jovens do Distrito Federal. Em apenas três anos de atuação, o Núcleo de Apoio aos Vestibulandos (Nave) já ajudou mais de 400 estudantes da rede pública a conquistar uma vaga no ensino superior, tornando-se uma das principais iniciativas da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) para ampliar o acesso às universidades.
O trabalho desenvolvido no Centro de Ensino Médio (CEM) 03 de Taguatinga oferece preparação para vestibulares, orientação acadêmica e acompanhamento aos estudantes que desejam ingressar em instituições de ensino superior. Hoje, o projeto reúne mais de 700 participantes e acumula resultados expressivos.
Entre as conquistas estão quase 200 aprovações na Universidade de Brasília (UnB), além de vagas obtidas no Instituto Federal de Brasília (IFB), na Universidade do Distrito Federal (UnDF), em universidades federais de outros estados e por meio de bolsas do Programa Universidade para Todos (Prouni).
Para marcar os três anos da iniciativa, a comunidade escolar promoveu uma cerimônia comemorativa que reuniu estudantes, ex-alunos, familiares, professores e representantes da área da educação, incluindo a reitora da Universidade de Brasília, Rozana Reigota Naves.
Responsável pela criação e coordenação do Nave, a professora Regina Cotrim afirma que o projeto nasceu para romper barreiras que, durante muito tempo, afastaram muitos jovens da universidade. “Mais do que preparar para uma prova, buscamos despertar nos estudantes a certeza de que eles têm capacidade para ocupar qualquer espaço. Cada aprovação fortalece essa mensagem e incentiva outros jovens a seguirem o mesmo caminho”, destacou.
A metodologia adotada pelo projeto tem como base a pedagogia histórico-crítica, combinando preparação acadêmica com ações voltadas ao fortalecimento da autonomia, da autoestima e da construção dos projetos de vida dos participantes.
Os efeitos desse trabalho também são percebidos pelas famílias. Durante a celebração, Viviane Oliveira, mãe de uma das estudantes aprovadas, agradeceu o apoio recebido ao longo da trajetória da filha. “Vocês não entregaram apenas conteúdo. Ofereceram acolhimento, orientação e confiança em um momento decisivo da vida desses jovens. O resultado é uma geração que passou a acreditar no próprio potencial e a enxergar novas oportunidades”, afirmou.
Entre os exemplos de transformação está Amy Lee Oliveira, que atualmente cursa a Universidade de Brasília. Ela lembra que, quando ingressou no ensino médio, não imaginava que poderia estudar em uma universidade pública.
A mudança de perspectiva veio ao participar das atividades promovidas pelo Nave, que incluíram orientação pedagógica e visitas ao campus universitário. “Conhecer a universidade e conversar sobre esse universo fez toda a diferença. Aos poucos, percebi que aquele sonho também podia ser meu e passei a me preparar com esse objetivo”, contou.
Hoje, já adaptada à vida acadêmica, Amy afirma que cada dia na universidade representa a concretização de um projeto que parecia distante poucos anos atrás.
Ao longo de sua trajetória, o Nave consolidou-se como um exemplo de como iniciativas desenvolvidas dentro da escola pública podem ampliar oportunidades e incentivar o acesso ao ensino superior. A experiência do CEM 03 de Taguatinga demonstra que investimento, acompanhamento e incentivo podem transformar expectativas em conquistas concretas para centenas de estudantes do Distrito Federal.



