O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, no litoral do Maranhão, entrou oficialmente para a lista de Patrimônios Mundiais da Humanidade da Unesco.
O reconhecimento internacional, concedido em julho de 2024 e celebrado nesta sexta-feira (15) em Barreirinhas (MA), coloca a unidade de conservação entre os principais sítios naturais do planeta, ao lado de destinos como as Cataratas do Iguaçu e o Pantanal.
A candidatura foi conduzida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Itamaraty e o governo maranhense. O parque foi inscrito na lista com base em critérios ligados à sua beleza cênica e características geológicas únicas.
Reconhecimento internacional
Criado em 1981, o parque ocupa mais de 155 mil hectares de dunas intercaladas por lagoas de água doce, um fenômeno natural esculpido pela ação dos ventos e considerado único no mundo. A região funciona como um ponto de encontro entre três biomas — Cerrado, Caatinga e Amazônia — e abriga rica biodiversidade, incluindo mais de 100 espécies de aves e dezenas de répteis.
Segundo a Unesco, o título é concedido a locais cujo valor ultrapassa fronteiras nacionais e tem relevância para toda a humanidade. Atualmente, o Brasil possui dez sítios naturais na lista. Além dos Lençóis, o mais recente foi o Cânion do Peruaçu, em Minas Gerais, também reconhecido em 2024.
A certificação ocorre em um momento de crescimento do turismo. Em 2024, o parque recebeu 440 mil visitantes, número recorde desde a pandemia e que o coloca como o sexto mais procurado entre os parques nacionais do país. O aumento do fluxo traz oportunidades econômicas, mas também pressiona a infraestrutura e exige reforço na preservação ambiental.
Para lidar com a nova realidade, o ICMBio e o governo do Maranhão assinaram um Acordo de Cooperação Técnica. O plano inclui a construção de guaritas de acesso, a instalação de um complexo de segurança em Atins, o monitoramento da balneabilidade das lagoas e a criação de um batalhão ambiental permanente.
Também estão previstos programas de turismo comunitário, para que as comunidades locais — cerca de 1.500 famílias que vivem dentro da unidade — sejam incluídas na gestão sustentável da região.




