Quem circula diariamente pelas áreas industriais do Distrito Federal começa a perceber mudanças no desenho urbano de regiões que historicamente cresceram sem estrutura adequada para pedestres. O Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) está no centro desse processo, com obras que buscam corrigir falhas antigas de acessibilidade e tornar os deslocamentos mais seguros em áreas de grande fluxo.
O pacote de intervenções inclui a construção e readequação de calçadas em diferentes pontos do SIA e de setores vizinhos. Somadas, as frentes de trabalho alcançam cerca de sete quilômetros de novas rotas para pedestres, distribuídas principalmente nos trechos 2 e 17 do SIA, além de áreas do Setor de Abastecimento e Armazenamento Norte (Saan) e do Setor Regimento de Cavalaria de Guardas (RCG). No Setor de Oficinas Norte (SOF Norte), outras obras ampliam em mais 1,2 quilômetro a malha destinada à circulação a pé.
Uma das mudanças mais significativas ocorre no Trecho 17, nos arredores da Rua 3, área localizada atrás do Centro de Progressão Penitenciária (CPP). Ali, a ausência de calçadas obrigava pedestres a dividir espaço com veículos, situação agravada pelo grande número de pontos de ônibus e estabelecimentos produtivos. Com o novo projeto, o trajeto passa a contar com calçadas contínuas e ligação direta com o Trecho 4, reduzindo riscos e facilitando o deslocamento de pessoas com mobilidade reduzida.
As melhorias também alcançam o SOF Norte, que passa por um processo de reorganização urbana conduzido pela Administração Regional do SIA em conjunto com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF), a Novacap e o programa RenovaDF, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet-DF). As ações envolvem ajustes viários e intervenções urbanísticas para ordenar o fluxo de pessoas e veículos em uma região de perfil essencialmente produtivo.
Além das calçadas, a mobilidade ativa ganhou espaço com a implantação de ciclovia e a duplicação de vias no Setor Regimento de Cavalaria de Guardas. O conjunto das intervenções forma um trajeto de aproximadamente oito quilômetros, ligando o Saan ao RCG e criando conexão com o Cruzeiro. A expectativa é oferecer uma alternativa mais segura para ciclistas que utilizam a bicicleta como meio de transporte diário.
Segundo o presidente do DER-DF, Fauzi Nacfur Júnior, a estratégia é integrar diferentes regiões por meio de infraestrutura adequada à mobilidade ativa, reduzindo conflitos no trânsito e ampliando as opções de deslocamento. Já o administrador do SIA, Bruno Oliveira, avalia que as obras representam uma mudança na forma de planejar o espaço urbano. Para ele, o foco passa a ser o pedestre e o ciclista, sem perder de vista a dinâmica econômica da região.




