A máxima de que é nas crises que se reconhecem os verdadeiros aliados ganhou contornos concretos no cenário político do Distrito Federal nesta quarta-feira (25). O episódio mais recente envolve o deputado distrital Rogério Morro da Cruz (PRD), que ocupou a tribuna da Câmara Legislativa com um discurso interpretado como um movimento de desgaste ao governador Ibaneis Rocha (MDB).
Nos bastidores, a leitura predominante é de que a fala acabou favorecendo politicamente a deputada federal Bia Kicis (PL), presidente do PL-DF e também pré-candidata ao Senado . A movimentação expôs, ainda que de forma indireta, as tensões naturais de um tabuleiro que já começa a se reorganizar de olho nas eleições de 2026.
Aliado prestigiado
O gesto chama atenção sobretudo pelo histórico,Morro da Cruz figura entre os parlamentares que mais acumularam capital político junto ao governo Ibaneis, com indicações consolidadas em administrações regionais e participação em agendas de entrega de obras, especialmente em São Sebastião e no Jardim Botânico.
Aqui vale um adendo nos últimos anos, essas regiões receberam investimentos em infraestrutura urbana, equipamentos públicos e programas habitacionais ;um conjunto de ações frequentemente lembrando no meio político como vitrine da gestão .
É justamente por esse histórico que o movimento do distrital é lido como um sinal de desalinhamento político em um momento sensível .
Na política, divergências públicas raramente são casuais. Ainda que o discurso na tribuna possa ser enquadrado no campo legítimo da atuação parlamentar, o timing e o conteúdo reforçaram a percepção de que a disputa pelo Senado já começou a produzir seus primeiros ruídos .
Também não passou despercebido o fato de que a aproximação retórica com Bia Kicis ocorre em meio à consolidação das pré-candidaturas ao Senado.
Valor político da lealdade
A experiência política ensina que a lealdade é um ativo de alto valor e, como todo ativo escasso, costuma ser mais visível quando colocada sob pressão. Em momentos de bonança, a base tende a se ampliar; nas fases de tensão, ela se depura.
O episódio desta semana não deve, por si só, redesenhar o mapa político do Distrito Federal. Mas funciona como sinal precoce de que o ciclo pré-eleitoral já começou a produzir seus próprios filtros de confiança. Em política, mais do que os discursos de festa, são os movimentos em terreno instável que revelam, com maior nitidez, quem permanece ao lado de quem quando o ambiente deixa de ser confortável.




