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Operação Verde Vivo: tecnologia e inteligência reforçam o arsenal do CBMDF contra incêndios florestais

Satélites, drones térmicos e câmeras de longo alcance integram a Operação Verde Vivo 2026

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Nesta quarta-feira 27/05, o Comando-Geral do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) reuniu representantes da Associação Brasileira de Portais de Notícias (ABBP) para detalhar o planejamento estratégico da Operação Verde Vivo 2026.

N aparesentação  o Comandante-Geral, Cel. A. Barcelos, o Subcomandante-Geral, Cel. Murilo, o Comandante de Proteção Ambiental e Civil, Cel. Ronaldo, e o Comandante do Grupamento de Proteção Ambiental, Ten. Cel. Marcelino, apresentaram uma operação que, combina  inteligência de dados, monitoramento remoto e capacidade de mobilização ampliada — tudo isso sob a sombra de um El Niño que ameaça tornar a estiagem de 2026 uma das mais severas dos últimos anos.

Divulgação CBMDF

O diagnóstico apresentado pelos comandantes é preciso: o Cerrado é um bioma estruturalmente vulnerável ao fogo. Clima seco, vegetação que acumula combustível e ventos que propagam chamas rapidamente formam uma equação que se repete todo ano entre abril e dezembro. O que muda em 2026 é a sofisticação da resposta.

No centro da estratégia tecnológica da operação está um sistema de monitoramento que funciona em camadas. Satélites atualizam imagens a cada 15 minutos, permitindo que o Centro de Gerenciamento Ambiental — onde 300 profissionais atuam diariamente — identifique pontos de calor em tempo real e acompanhe a evolução de focos antes que se tornem incêndios de grande porte. Câmeras de longo alcance complementam essa vigilância nas regiões de maior risco, enquanto drones equipados com câmeras térmicas cobrem o que nenhuma câmera fixa alcança: áreas de difícil acesso.

“A gente tem drones de gerações bem avançadas, com câmera térmica e capacidade de zoom óptico. Conseguimos fazer o monitoramento do DF em tempo real sem nenhum problema”, explicou o Ten. Cel. Marcelino. “Isso muda completamente a lógica do combate, porque a gente chega antes — ou chega sabendo exatamente o que vai encontrar.”

A detecção precoce é, na visão da corporação, onde a tecnologia mais agrega valor. Um foco identificado nos primeiros minutos pode ser contido por uma única guarnição. O mesmo foco ignorado por horas pode exigir centenas de bombeiros, aeronaves e dias de trabalho. “O nosso histórico de ocorrências nos mostra onde os incêndios acontecem, em que horário, com que intensidade. Isso nos permite distribuir o efetivo de forma muito mais eficiente”, disse Marcelino.

Do satélite à viatura: integração como princípio

A informação gerada pelo monitoramento tecnológico alimenta diretamente o Sistema de Comando de Incidentes (SCI), estrutura de gestão de emergências adotada pelo CBMDF desde 2010 e inspirada no modelo criado nos Estados Unidos após os grandes incêndios da Califórnia nos anos 1970. O sistema é o que garante que os dados coletados pelos satélites e drones se traduzam em decisões coordenadas no terreno — integrando, sob um único comando, Polícia Militar, Defesa Civil, Ibama, IBram, ICMBio e outros órgãos.

“Não adianta a gente colocar 1.500 pessoas no terreno se a gente não consegue coordenar as ações dessas 1.500 pessoas”, afirmou o Ten. Cel. Marcelino. “O SCI é a base para que a gente tenha, além da mobilização, eficiência na atuação.”

É uma lição que os americanos aprenderam da pior forma. Na Califórnia dos anos 1970, os grandes incêndios não eram contidos por falta de bombeiros ou equipamento, mas por ausência de coordenação entre agências. A solução foi criar uma linguagem comum, uma estrutura única de comando capaz de absorver qualquer número de órgãos e recursos. O CBMDF importou esse modelo e o aperfeiçoou ao longo de quinze anos de aplicação.

No campo, a tecnologia se materializa em viaturas. As Auto Bombas Tanque Florestal (BTF), importadas de Portugal e referência mundial no combate a incêndios, chegam equipadas com sistemas de proteção que permitem, em situação extrema, atravessar uma linha de fogo. Os Altos Rápidos Florestais (ARF) carregam sopradores, mochilas costais e kit de combate rápido. Os Altos Transportes de Tropa (ATT) garantem acesso a terrenos onde nenhuma outra viatura chega. Ao todo, 12 postos especializados serão distribuídos pelas regiões de maior incidência histórica do DF no auge da operação.

O combate aéreo completa o arsenal. Aviões e helicópteros com capacidade de lançamento de água estão disponíveis para ocorrências de maior porte — recurso que, segundo os comandantes, pouquíssimos corpos de bombeiros no Brasil possuem em caráter permanente.

Tecnologia que não substitui consciência

Diante de todo esse aparato, seria tentador concluir que o problema dos incêndios florestais no DF está equacionado. Os próprios comandantes trataram de desfazer essa impressão. A tecnologia, por mais sofisticada que seja, chega sempre depois — depois que alguém ateou fogo, jogou uma bituca, deixou uma fogueira mal apagada ou acionou deliberadamente uma queimada.

“Você pode ter o melhor equipamento do mundo, e a gente tem equipamento muito bom, mas se a pessoa decidir atear fogo, a gente vai ter que apagar”, disse o Ten. Cel. Marcelino. “A tecnologia nos dá velocidade e precisão de resposta. O que ela não nos dá é a capacidade de evitar que o fogo comece.”

É por isso que a Operação Verde Vivo 2026 não se resume ao seu arsenal tecnológico. Desde o início do ano, antes mesmo da abertura oficial, a corporação realizou capacitações para chacareiros em todo o DF, apoiou queimas prescritas em parques ecológicos e conduziu blitz ambientais em pontos estratégicos. Ações de educação ambiental em escolas, campanhas nas redes sociais compõem uma frente que o CBMDF consideram tão estratégica quanto os drones e satélites.

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