A vida de quem mora na comunidade Santa Luzia, na Estrutural, começa a ganhar novos contornos com a chegada de investimentos públicos voltados à habitação e à infraestrutura urbana. Iniciativas do Governo do Distrito Federal (GDF) têm permitido que famílias em situação de vulnerabilidade saiam de moradias improvisadas para ambientes mais seguros, estruturados e dignos.
Um dos exemplos é o da cozinheira Adriana Ribeiro, de 34 anos. A casa onde vive com o marido e a filha já não é mais a mesma. O imóvel, que antes era feito de madeira e sem condições adequadas, passou por uma transformação com o apoio do Cartão Material de Construção.
“Hoje temos portas, banheiro pronto, cerâmica, pia e até portão. Antes era tudo muito precário, feito de madeira. Agora estamos conseguindo melhorar aos poucos”, relata.
Além das melhorias dentro da residência, a família também passou a contar com serviços essenciais na porta de casa. Ruas que antes eram de terra, com lama e buracos, receberam intervenções, e a comunidade passou a ter acesso regular à água e à energia elétrica.
“Antes era muito difícil. A gente precisava ligar bomba para ter água. Hoje é diferente, temos abastecimento regular e mais qualidade de vida. É uma mudança grande”, afirma Adriana.
As intervenções fazem parte de um pacote de obras de saneamento integrado autorizado pelo governador Ibaneis Rocha. O investimento ultrapassa R$ 92 milhões e contempla a implantação de redes de água e esgoto, drenagem pluvial e estruturas para contenção de águas da chuva. A expectativa é beneficiar mais de 20 mil moradores da região.
Em paralelo, a Neoenergia Brasília executa a instalação de 683 postes e cerca de 30 quilômetros de rede elétrica, com investimento aproximado de R$ 9 milhões. Os serviços já começaram e seguem em expansão para atender toda a comunidade.
Para o administrador regional da Estrutural, Alceu Prestes de Mattos, a combinação entre obras estruturais e programas sociais tem sido fundamental para mudar a realidade local.
“Estamos levando infraestrutura e, ao mesmo tempo, oferecendo condições para que as famílias reconstruam suas casas. Isso traz dignidade e melhora a qualidade de vida de quem mais precisa”, destaca.
O Cartão Material de Construção, coordenado pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab), foi criado para atender pessoas desalojadas ou afetadas por situações emergenciais, como incêndios, enchentes e deslizamentos. Cada família contemplada recebe R$ 15 mil para investir na reforma ou reconstrução do imóvel.
Desde o lançamento do programa, em maio de 2025, 249 pessoas já foram beneficiadas no Distrito Federal. Desse total, 52 atendimentos foram realizados em Santa Luzia, enquanto a maioria contemplou moradores do Residencial Tamanduá, no Recanto das Emas. O investimento soma mais de R$ 3,7 milhões.
De acordo com o diretor-presidente da Codhab, Marcelo Fagundes, a iniciativa oferece uma nova oportunidade para famílias que enfrentaram perdas. “Estamos garantindo que essas pessoas tenham condições de recomeçar. É uma política pública que leva dignidade e segurança para quem passou por momentos difíceis”, afirma.
A dona de casa Regiane Braga, de 39 anos, também vive essa expectativa de mudança. Moradora da região há mais de dez anos, ela enfrentava problemas como infiltrações, mofo e falta de acabamento, o que afetava diretamente o bem-estar dos cinco filhos.
Com o benefício, já adquiriu os materiais necessários para reformar o imóvel.
“Quando chovia, a casa ficava toda molhada. As paredes estavam com mofo e precisava de reboco. Agora vou conseguir arrumar tudo e deixar a casa melhor para meus filhos”, conta.
A reforma também permitirá reorganizar os espaços da residência, garantindo mais conforto para a família.
“Eles dormiam todos juntos. Agora vou conseguir separar melhor, fazer um espaço para cada um. Isso faz muita diferença”, completa.
O programa atende famílias atingidas por situações emergenciais reconhecidas pela Defesa Civil, como alagamentos, enxurradas, deslizamentos e incêndios, além de casos de reassentamento em áreas de risco. Para ter acesso ao benefício, é necessário ter renda de até cinco salários mínimos e comprovar residência no Distrito Federal há pelo menos cinco anos.
Após a aprovação, o valor é disponibilizado por meio de um cartão magnético emitido pelo Banco de Brasília (BRB), com prazo de até 90 dias para utilização na compra de materiais de construção.
Com ações que unem investimento em infraestrutura e apoio direto às famílias, o GDF avança na redução das desigualdades e promove mudanças concretas na vida de moradores da Estrutural, que passam a enxergar novas possibilidades de futuro.




