InícioDistrito FederalRedução nos trotes para o Samu leva a mais eficiência nos atendimentos

Redução nos trotes para o Samu leva a mais eficiência nos atendimentos

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Durante anos, os trotes foram um dos grandes vilões do atendimento de urgência no Distrito Federal. Ligação falsa aqui, chamada mal-intencionada ali, e equipes inteiras desviadas de casos reais — colocando vidas em risco. Mas em 2024, o cenário mudou. E mudou para muito melhor.

Pela primeira vez desde a criação do Samu-DF, há 19 anos, o índice de trotes caiu para menos de 1% do total de ligações recebidas: apenas 0,96%. Para um serviço que atendeu mais de 765 mil chamadas no ano passado, essa redução significa menos ambulâncias enviadas à toa e mais agilidade para salvar quem realmente precisa.

O resultado não veio do nada. Ele é fruto de uma estratégia que mistura educação, punição e tecnologia.

Boa parte desse avanço tem nome: Samuzinho. O projeto, que leva profissionais do Samu a escolas públicas e particulares, tem conquistado crianças e adolescentes com palestras, simulações e aulas práticas sobre primeiros socorros. A ideia é simples e eficaz: mostrar desde cedo o que é o Samu, como ele funciona e por que não se deve brincar com algo tão sério.

O resultado vai além da queda nos trotes. Ao entender o impacto de uma chamada falsa, os alunos se tornam multiplicadores da informação, levando o alerta para dentro de casa e influenciando pais, irmãos e vizinhos. Educação, afinal, é uma das formas mais poderosas de mudar comportamentos enraizados.

Mas nem só de conscientização se faz uma mudança cultural. Em 2023, o Governo do Distrito Federal apertou o cerco com a publicação do Decreto nº 44.427/2023, que prevê multas de até três salários mínimos para quem passar trotes aos serviços de emergência.

A punição tem surtido efeito. Ao colocar um preço alto sobre a irresponsabilidade, o decreto ajudou a reduzir o número de chamadas falsas — e deixou claro que brincadeira de mau gosto pode sair caro.

Com a combinação de educação nas escolas e rigor na legislação, o Samu-DF vive um momento de transformação. Em 2019, os trotes correspondiam a quase 6% das ligações. Agora, em 2024, são menos de 1%. A queda é significativa, mas o mais importante é o que ela representa: um serviço mais eficiente, mais respeitado e, acima de tudo, mais humano.

Afinal, cada vez que uma ambulância deixa de ser enviada por engano, ela tem mais chance de chegar a tempo onde realmente é necessária. O impacto é invisível para a maioria, mas decisivo para quem está do outro lado da linha, esperando por socorro.

Se antes o Samu lutava contra o desrespeito e o desperdício de recursos, hoje ele começa a colher os frutos de um trabalho de longo prazo. E a mensagem está dada: ligação de emergência é coisa séria. E o respeito, felizmente, está virando regra no DF.

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