A governadora reeleita do Distrito Federal, Celina Leão (PP), confirmou a permanência de Nelson Antônio de Souza na presidência do Banco de Brasília (BRB) e sinalizou a intenção de retomar o diálogo com o governo federal sobre a situação da instituição. Em entrevista ao Metrópoles, na terça-feira (27), ela também defendeu que o banco deixe de ser associado aos confrontos político-eleitorais.
Durante a campanha, o BRB esteve no centro das divergências entre Celina e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na avaliação da governadora, a exploração política do caso prejudicou a instituição. Com o encerramento das eleições, ela considera que há espaço para discutir os problemas do banco diretamente com a União, em uma abordagem voltada às questões administrativas e financeiras.
A tentativa de reabrir o diálogo ocorre em meio a uma das fases mais delicadas da trajetória do BRB. A Polícia Federal investiga a aquisição de carteiras de crédito do Banco Master suspeitas de serem falsas. As operações estão associadas a um prejuízo estimado em R$ 8,8 bilhões, agravando os desafios enfrentados pela instituição.
Nelson de Souza ocupa a presidência desde novembro de 2025, quando assumiu o posto após a saída de Paulo Henrique Costa. Com experiência na gestão de grandes instituições financeiras, ele já presidiu a Caixa Econômica Federal e o Banco do Nordeste, comandou o Banco do Empreendedor do Estado de São Paulo e atuou como vice-presidente da Elo.
Ao optar pela continuidade da atual gestão, Celina mantém a liderança do BRB enquanto as investigações avançam. A perspectiva de interlocução com o governo federal acrescenta uma frente política à tentativa de enfrentar a crise, em um momento no qual a instituição precisa lidar tanto com os impactos financeiros das operações investigadas quanto com a necessidade de recuperar a confiança em sua administração.



