Nessa sexta-feira (05), o Programa Vozes da Comunidade recebeu Sandra Holanda, secretária de Transporte e Mobilidade do DF. Um mês de cargo. Quase duas horas de conversa. E uma postura que ficou clara desde a primeira resposta: esta não é uma gestora que chegou para administrar o que existe. Chegou para mudar o que não funciona.
Ela poderia ter começado pela agenda positiva. Pelos 90 ônibus elétricos que chegaram no seu primeiro dia de trabalho. Pelos planos de expansão do metrô. Pelos abrigos inteligentes. Começou pela auditoria.
Ao chegar à secretaria, Sandra Holanda encontrou um histórico de revisões tarifárias que a preocupou. Primeiro ato: uma portaria suspendendo essas revisões nas cinco bacias do sistema. Em seguida, a contratação de uma auditoria para examinar os contratos desde a origem, em 2013. Quando perguntada se estava satisfeita com o modelo atual de concessão, respondeu sem hesitar:
“Não estou satisfeita.”
Três palavras. Sem eufemismo, sem qualificação. Raras num vocabulário de gestão pública.
Duas semanas depois de tomar posse, visitou o metrô sozinha, sem avisar a equipe. Saiu da Asa Sul, foi até Águas Claras, usou o sistema como qualquer cidadão comum. É o tipo de gesto que revela mais sobre uma gestora do que qualquer plano de governo — quem precisa ver para acreditar, vai ver.
O que encontrou: frota envelhecida, intervalos longos, expansão parada há anos. Quinze novos trens em estudo. Obras previstas para Samambaia e Ceilândia. Mas ela avisou que renovar frota não resolve. “O Distrito Federal precisa de novas linhas, novos desenhos, crescimento constante — não aquele que cresce um pouquinho e para por anos.”
Os 90 ônibus elétricos da Bacia 1, entregues no seu primeiro dia, estão em fase de instalação e emplacamento. Cada renovação de frota, daqui em diante, será atrelada à transição energética. A meta é que o usuário não perceba nenhuma diferença no tempo de espera pela mudança de tecnologia. “A diferença no tempo de abastecimento precisa ser resolvida internamente. O nosso cliente não pode ser penalizado.”
Novos abrigos inteligentes estão sendo instalados — com carregadores USB, QR codes, rastreamento em tempo real e um botão chamado Abrigo Amigo: para a mulher sozinha numa parada às onze da noite, um acionamento aciona suporte remoto até o ônibus chegar.
Também pela primeira vez em 13 anos de concessão, o DF vai ouvir quem usa o transporte. Uma pesquisa de satisfação começa na próxima semana, a bordo dos ônibus, em todas as bacias e horários. “A gente só melhora o que a gente compreende.”
E quando a conversa chegou ao entorno — os trabalhadores que cruzam diariamente de Goiás para o DF em ônibus superlotados e caros — a secretária não fingiu que o problema é simples nem que a solução é próxima. Admitiu que chegou ao cargo já pesquisando o tema. Priorizou, na primeira semana, uma reunião com o governo goiano. Aguarda para a semana que vem a minuta de um consórcio interestadual.
Uma promessa antiga que nunca saiu do papel. Ela sabe disso. E prometeu voltar ao programa com um plano de ação concreto.
Perto do fim, o apresentador Toni Duarte observou que este parece ser um governo diferente no quesito diálogo — mais acessível, mais disposto a falar diretamente com a população. Sandra Holanda concordou. E explicou por que aceitou o convite da governadora Celina Leão para deixar Pernambuco e assumir a secretaria:
“O que ela pretende fazer pelo Distrito Federal é algo realmente revolucionário. Por isso topei essa missão.”
E encerrou com a frase que resume o tom de tudo que disse antes:
“Mais do que impressionar, a gente precisa realizar.”
O Programa Vozes da Comunidade é apresentado pelo jornalista Toni Duarte e retransmitido por emissoras de rádio comunitárias do Distrito Federal e vai ao ar toadas as sextas a partir das 10h pelo canal no YouTube do programa.
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