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Sandro Avelar vê na integração das forças de segurança e no diálogo com a comunidade o legado de sua gestão

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O ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal Sandro  Avelar atribui parte dos avanços registrados na segurança pública do DF à integração entre as forças policiais e à aproximação com a comunidade. Delegado aposentado da Polícia Federal, Avelar falou sobre o legado de suas duas passagens pela Secretaria de Segurança Pública durante participação no programa Vozes da Comunidade, apresentado pelo jornalista Toni Duarte nesta sexta-feira (28).

Avelar esteve à frente da pasta em dois períodos. Na primeira passagem, entre 2011 e 2014, implantou o Programa Ação pela Vida, com a criação das Áreas Integradas de Segurança Pública (AISPs) e o fortalecimento da integração entre Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Detran.

Na segunda gestão, iniciada após os atos de 8 de janeiro de 2023, o ex-secretário destacou a continuidade de políticas de integração, o uso de tecnologia e ações de inteligência no combate à criminalidade. Entre as iniciativas citadas estão o programa Viva Flor, voltado à proteção de mulheres vítimas de violência doméstica, a política de localização de pessoas desaparecidas e o reforço do efetivo das forças de segurança.

Questionado pelo jornalista Ribamar Silva, do portal Mídia Alternativa, sobre o principal legado deixado nas duas passagens pela Secretaria  de Segurança Pública do DF, Avelar apontou a coordenação entre as forças de segurança e a disposição para ouvir a população.

“Eu trabalhei com muita seriedade para poder coordenar as forças de segurança no sentido de se aliarem, trabalharem juntas.”

Segundo o ex-secretário, o acompanhamento sistemático dos índices de criminalidade, aliado à proximidade com os Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs), foi fundamental para orientar decisões durante sua gestão.

Como exemplo da estratégia, Avelar citou a portaria que determinou o fechamento das distribuidoras de bebidas após a meia-noite no Distrito Federal. Segundo ele, a medida foi adotada a partir do cruzamento de dados sobre criminalidade e de reclamações apresentadas por moradores nos Consegs.

De acordo com o ex-secretário, os chamados “mapas de manchas criminais” indicavam uma concentração de ocorrências violentas nas proximidades desses estabelecimentos durante a madrugada. Ao mesmo tempo, moradores relatavam que algumas distribuidoras funcionavam como bares improvisados, com mesas, cadeiras e som alto durante a madrugada, provocando reclamações da vizinhança.

Avelar afirmou que levou a proposta ao então governador Ibaneis Rocha e que a medida preservava o funcionamento comercial das distribuidoras até a meia-noite. Segundo ele, a maior parte dos comerciantes acabou apoiando a decisão.

“A grande maioria dos comerciantes estava se sentindo contemplada, estava se sentindo inclusive beneficiada com essa decisão.”

Na entrevista, o ex-secretário afirmou que, após a medida, houve uma redução superior a 30% nos crimes registrados nas proximidades das distribuidoras. Segundo os números apresentados por Avelar, a queda chegou a 71% entre as ocorrências registradas durante a madrugada.

Para ele, a medida foi uma das ações que, somadas a outras políticas de segurança, contribuíram para a melhora dos indicadores do Distrito Federal. Avelar afirmou que o DF conseguiu superar Florianópolis e passou a ser reconhecido pelo Ministério da Justiça como a capital mais segura do País.

“Muita gente falava: vocês podem melhorar, mas ultrapassar Florianópolis vocês jamais conseguirão. Pois bem, conseguimos.”

Segurança com participação da comunidade

Avelar reconheceu que medidas de restrição ao funcionamento de estabelecimentos comerciais podem provocar resistência, mas afirmou que o diálogo com os setores afetados foi importante para evitar conflitos e construir apoio à política.

O ex-secretário relacionou essa forma de atuação ao conceito que chama de “segurança integral”, modelo em que as forças policiais deixam de atuar isoladamente e passam a incorporar a comunidade ao processo de discussão e definição das prioridades.

“É por isso que eu defendo a chamada segurança integral, onde a gente envolve a comunidade nesse projeto e as pessoas compreendem que as medidas que nós estamos tomando são para o bem da comunidade.”

Para Avelar, a realidade da segurança pública varia de uma região administrativa para outra e, por isso, as estratégias precisam considerar as demandas locais. Nesse modelo, os Consegs teriam papel central ao levar às autoridades problemas identificados diretamente pelos moradores.

Na avaliação do ex-secretário, a combinação entre dados, integração institucional e participação popular foi determinante para os resultados alcançados pelo Distrito Federal.

“Quando eu aproximo as forças de segurança, Polícia Militar, Polícia Civil, o próprio Detran, para ouvir a comunidade e atender aquelas demandas que são regionais, a gente está somando os esforços, está otimizando os esforços.”

Avelar defendeu ainda que políticas de segurança não devem depender apenas de ações pontuais ou de mudanças de governo. Para ele, resultados consistentes exigem continuidade, integração e planejamento de longo prazo.

Assista ao Vozes da Comunidade na íntegra:

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