A senadora Damares Alves fez duras críticas à reforma tributária aprovada pelo Congresso Nacional e afirmou que o modelo em fase de implementação já começa a produzir efeitos negativos sobre setores estratégicos da economia, especialmente os prestadores de serviço e os pequenos empreendedores.
Durante entrevista ao programa Vozes da Comunidade, neste sábado (9), a parlamentar classificou o governo federal como “arrecadador” e disse que a proposta aprovada acabou priorizando aumento de receitas em vez de estímulos à produção e ao empreendedorismo.
“Quando a gente tem um governo arrecadador e uma maioria no Congresso alinhada a isso, era óbvio que sairia uma reforma que penalizaria mais o contribuinte do que ajudaria”, afirmou.
Na avaliação de Damares, a principal preocupação está nos impactos diretos sobre o setor de serviços, considerado um dos motores da economia do Distrito Federal. Segundo ela, o Congresso já começou a ser pressionado por segmentos que alegam prejuízos e distorções no novo sistema tributário.
“A gente vai ter que rever alguns pontos imediatamente, especialmente para os prestadores de serviço, porque são eles que movimentam a economia”, disse.
A senadora também criticou mudanças relacionadas a benefícios fiscais destinados às pessoas com deficiência. Segundo ela, há preocupação dentro do Parlamento com o risco de redução de isenções históricas, como a do IPI para compra de veículos adaptados.
“Olha que loucura: estão acabando com a isenção do IPI para pessoas com deficiência comprarem carro. Isso não pode acontecer”, declarou.
Ao abordar os efeitos da reforma, Damares afirmou que o Brasil deveria concentrar esforços em políticas de incentivo ao empreendedorismo individual e à economia digital, setores que, segundo ela, representam uma nova dinâmica de geração de renda no país.
“Hoje, com um computador, um jovem pode ganhar mais do que o dono de uma fábrica com cem funcionários”, afirmou. “A reforma tributária deveria estimular esse novo empreendedor.”
A parlamentar também defendeu uma revisão do modelo de tributação aplicado aos profissionais autônomos, trabalhadores digitais e pequenos prestadores de serviço, argumentando que a economia contemporânea exige regras mais flexíveis e menos burocráticas.
Segundo Damares, a pressão por ajustes na reforma deve crescer nos próximos meses, à medida que estados, municípios e setores econômicos começarem a sentir os impactos práticos da nova estrutura tributária.
“A reforma foi entregue, mas agora começou a fase da realidade. E o Congresso já está sendo chamado para corrigir erros”, afirmou.
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