O Centro Especializado em Reabilitação (CER) II de Taguatinga vem reforçando o atendimento a pessoas ostomizadas na Região de Saúde Sudoeste. A unidade acompanha cerca de 500 pacientes e tem ampliado ações de acolhimento e orientação para quem precisa conviver permanentemente com bolsas coletoras.
Entre os usuários está o militar aposentado Renato Assumpção, 55 anos, que descobriu um câncer no intestino grosso após meses de sintomas sem diagnóstico. Ele conta que, mesmo mantendo exames em dia, nenhum deles apontava a origem do desconforto que sentia. Segundo ele, a situação só ficou clara após a colonoscopia realizada em 2020. “Eu fazia todos os exames de rotina, mas nada mostrava o que estava acontecendo. Só quando fiz a colonoscopia é que conseguimos entender a gravidade”, relata.
Renato passou por cirurgia meses depois. No início, havia a expectativa de que a colostomia fosse temporária, mas exames posteriores mostraram comprometimento também do reto, tornando o uso da bolsa definitivo. Ele descreve esse período como um dos mais difíceis de sua vida. “Foi um choque descobrir que a bolsa não poderia ser retirada. Tive que me adaptar rápido a uma nova forma de viver”, afirma.
O aposentado também relata limitações importantes no pós-operatório. “Não conseguia ficar em pé por muito tempo e precisava pedir ajuda para coisas simples do dia a dia. Era cansativo e frustrante”, conta. Episódios de prolapso também passaram a fazer parte da rotina.
A reabilitação oferecida no CER II se tornou essencial para que Renato recuperasse autonomia. Nas primeiras consultas, ele voltava quinzenalmente para avaliação e troca da bolsa. Com o acompanhamento da equipe, passou a dominar o próprio manejo do dispositivo e reduziu a frequência das visitas. Para ele, o serviço foi decisivo. “A equipe teve paciência e me ensinou tudo com calma. Aos poucos, fui ganhando confiança para cuidar da bolsa sozinho”, diz.
Segundo a supervisora do centro, Kênia Cardoso, o trabalho vai além do atendimento clínico e envolve treinamento, prevenção de complicações, orientação nutricional e suporte emocional. A equipe do CER II é formada por enfermeiras e técnicas especializadas, com possibilidade de integração de outros profissionais sempre que necessário. O paciente pode procurar o serviço espontaneamente ou por encaminhamento. Além do centro de Taguatinga, outros 11 ambulatórios da Secretaria de Saúde do DF oferecem atendimento a ostomizados em diferentes regiões administrativas.
Para fortalecer o acolhimento, a unidade criou o grupo Multi Boas-Vindas Ostomia, que reúne novos pacientes uma vez por mês. Nos encontros, são discutidas diferenças entre tipos de estomias, manejo dos dispositivos, episódios de diarreia, constipação e gases, além de cuidados com a pele e orientações alimentares.
Conscientização
O mês de novembro também marca o Dia Nacional dos Ostomizados, lembrado em 16/11. A data busca ampliar a discussão sobre o tema e reduzir estigmas. A estomia, indicada em situações como tumores, doenças inflamatórias, malformações e traumas, garante a eliminação adequada quando o funcionamento natural do organismo é comprometido. Pela legislação brasileira, pessoas que utilizam estomias têm reconhecimento como PcDs e contam com direitos assegurados.




