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Usina do P Sul marca 40 anos como uma das principais referências em compostagem do país

Experiência do DF reduz impactos ambientais e amplia a vida útil do aterro

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Durante quatro décadas, uma engrenagem pouco visível ao público ajudou a moldar a política de resíduos do Distrito Federal. Responsável por retirar toneladas de lixo do caminho do descarte final e devolvê-las à cadeia produtiva, a Usina de Tratamento Mecânico-Biológico (UTMB) do P Sul completa 40 anos de funcionamento nesta quinta-feira (5) como um dos principais instrumentos de sustentabilidade urbana da capital.

A unidade, operada pelo Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal, atua no processamento de resíduos da coleta convencional, separando recicláveis e destinando a fração orgânica à compostagem. O resultado desse trabalho aparece em números: apenas na última década, a UTMB do P Sul e a unidade da Asa Sul responderam pelo tratamento de mais de 2,7 milhões de toneladas de resíduos, o equivalente a cerca de 40% de todo o lixo domiciliar gerado no DF no período.

O impacto direto dessa operação é a redução da pressão sobre o Aterro Sanitário de Brasília. Entre 2015 e 2025, mais de 720 mil toneladas de material orgânico cru foram transformadas em composto, volume que, na prática, corresponde a quase um ano inteiro de resíduos que deixaram de ser aterrados. Parte desse material,  mais de 185 mil toneladas após maturação foi destinada gratuitamente a produtores rurais do DF e da Região Integrada de Desenvolvimento do Entorno.

Localizada em Ceilândia, a UTMB do P Sul recebe resíduos de regiões densamente povoadas, como Taguatinga, Samambaia, Sol Nascente e Pôr do Sol. Além de tratar o lixo urbano, a usina concentra a etapa de maturação do composto cru vindo da Asa Sul, funcionando como eixo central do sistema de compostagem do DF.

A operação também tem reflexos sociais. A separação dos materiais recicláveis ocorre dentro da própria unidade, executada por cooperativas de catadores, o que garante geração de renda e formalização do trabalho. O modelo integra gestão ambiental e inclusão produtiva em uma mesma política pública.

Para o presidente do SLU, Luiz Felipe Carvalho, a trajetória da usina evidencia uma mudança de paradigma na gestão do lixo urbano. “O que antes era tratado apenas como descarte passou a ser visto como recurso. A usina reduz impactos ambientais, fortalece a agricultura familiar e amplia a eficiência do sistema de limpeza urbana”, afirma.

Esse modelo ganhou reconhecimento nacional em março do ano passado, quando o SLU recebeu o Prêmio Arapoti, na categoria Excelência no Setor Público. A premiação destacou a experiência do Distrito Federal na compostagem de resíduos sólidos urbanos, reconhecendo o papel das usinas como instrumento de redução de emissões e reaproveitamento de materiais.

Ao completar 40 anos, a UTMB do P Sul se consolida menos como uma estrutura comemorativa e mais como um ativo estratégico da política ambiental do DF. Sua trajetória demonstra que a gestão integrada de resíduos não apenas amplia a vida útil de infraestruturas essenciais, mas também gera retorno ambiental, social e econômico para a cidade.

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