O secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Alexandre Patury, participou neste sábado (18) do programa Vozes da Comunidade,apresentadoo pelo jornalista Toni Duarte, transmitido pelo You tube e retransmitido por emissoras de rádio do DF e Entorno. Durante cerca de uma hora, ele respondeu a perguntas de jornalistas e ouvintes sobre os principais desafios da segurança pública na capital.
Patury assumiu a secretaria recentemente, após Celina Leão assumir o governo do DF, e já atuava como secretário executivo da pasta. Ao longo da entrevista, detalhou programas em curso, reconheceu gargalos históricos e defendeu a integração tecnológica como eixo central da política de segurança do governo.
Durante o quadro “Sabatinão do Povo”, o secretário respondeua questionamentos de jornalistas e também da população. Na oocasião elucidou temas ligados à segurança pública, como ações do governo e medidas para ampliar a proteção dos moradores.
DF 360: meta de 10 mil câmeras
O secretário apresentou o programa DF 360 como a principal aposta do governo para ampliar o controle do território. Segundo ele, o sistema já opera com 1.750 câmeras — acima das 1.350 mencionadas no vídeo institucional do programa — e a meta é ultrapassar 10 mil equipamentos integrados, o que tornaria o DF o maior sistema de videomonitoramento do país.
A estratégia combina câmeras próprias da Secretaria de Segurança com equipamentos de outros órgãos do GDF — Educação, Saúde, Detran e Semob — e também abre espaço para adesão de câmeras particulares. Condomínios, comércios e escolas poderão integrar seus equipamentos externos ao sistema por meio do portal DF 360, respeitadas as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “A câmera tem que apontar para o lado de fora. O que aponta para a rua já pode ser integrado imediatamente”, explicou.
DF 360 em números
1.750 câmeras já integradas ao sistema
Meta: 10 mil+ câmeras, entre públicas e privadas
Fontes: SSP, Educação, Saúde, Detran, Semob e câmeras de particulares
Cadastro: disponível no portal DF 360
Questionado sobre o roubo de fios e cabos — crime que provoca apagões e afeta hospitais, o metrô e a iluminação pública —, Patury afirmou que retornava de uma operação noturna na Asa Norte realizada por determinação da governadora. Ele reconheceu a complexidade do problema e associou parte dos furtos ao consumo de crack. “Muitas vezes, as pessoas drogadas furtam pedaços de cabo para trocar por uma pedra de crack”, disse.
O secretário também defendeu endurecimento na legislação. Segundo ele, é comum que os mesmos infratores sejam presos repetidas vezes pelo mesmo crime. “Se as pessoas ficassem presas na segunda ou terceira vez, esse crime diminuiria 50%”, afirmou.
Quando indagado sobre o déficit de profissionais nas coorporações,Patury reconheceu reconheceu a defasagem significativa no efetivo policial. Dados mencionados durante o programa apontam queda de 31% no efetivo da PM e de 18% na Polícia Civil na última década. O secretário confirmou que o número de policiais militares recuou de cerca de 15 mil para entre 10.500 e 11.000 servidores.
Ele atribuiu o problema a longos intervalos entre concursos e a mudanças legislativas que anteciparam aposentadorias. Segundo Patury, os governos Ibaneis e Celina realizaram concursos sucessivos — com turmas de 1.200, 1.000 e novamente 1.200 novos policiais — mas o ritmo de ingresso mal acompanha o de saída.
Outra pauta que permeou diversos momentos da sabatina foi a questão do feminicídio.Nos primeiros três meses de 2026, o DF registrou seis feminicídios e ao menos cinco tentativas. Ao ser questionado sobre os gargalos no enfrentamento do crime, Patury apontou o machismo estrutural e a subnotificação como os principais obstáculos. “Mais de 70% das ocorrências nós só descobrimos quando o feminicídio já aconteceu”, disse.
Ele destacou dois programas do governo: o Copom Mulher e o Viva Flor, este último em operação desde 2018 e responsável pelo monitoramento de mulheres com medida protetiva. Segundo o secretário, nenhuma mulher sob proteção do programa foi morta desde sua criação. “O que precisamos é que essa informação chegue: ligue 190, ligue 197, procure a Secretaria da Mulher”, apelou.
“O covarde está dentro de casa. O vizinho ouve o grito, mas não liga para a polícia. Precisamos mudar essa cultura.”
Questionado sobre a presença do PCC e do Comando Vermelho no DF, Patury foi categórico: não há poder paralelo na capital. “Aqui tem comando da governadora, do secretário, do comandante da PM e do diretor da Polícia Civil. Não há um centímetro quadrado onde a polícia não entre”, afirmou.
Ao fim da entrevista, Patury delineou uma estratégia que combina reforço tecnológico, ajustes legislativos e recomposição gradual do efetivo como resposta aos desafios da segurança no Distrito Federal.
Sem negar fragilidades — como a redução no número de policiais e a subnotificação de crimes —, o secretário sustentou que o modelo em curso aposta na integração de sistemas e na presença ostensiva do Estado para evitar a consolidação do crime organizado.
Acompanhe a entevista na íntegra:




