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Livro resgata protagonismo invisível de catadoras e mostra a engrenagem feminina da reciclagem no Brasilam de vida com a reciclagem

Obra reúne relatos de mulheres que encontraram na coleta de resíduos uma forma de sustento, pertencimento e transformação social em meio à invisibilidade histórica da categoria

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Em um país onde a reciclagem depende, em grande parte, do trabalho informal e silencioso de milhares de mulheres, o livro Mulheres que Reciclam o Futuro surge como um retrato social de uma força de trabalho que sustenta famílias, movimenta cooperativas e ocupa uma posição central na cadeia ambiental brasileira — ainda que quase sempre distante dos holofotes.

A publicação reúne histórias de 25 catadoras de materiais recicláveis de diferentes regiões do país. São trajetórias marcadas por vulnerabilidade, maternidade precoce, desemprego e exclusão, mas também por redes de apoio, resistência coletiva e reconstrução da própria dignidade a partir do trabalho com resíduos.

O lançamento ocorrerá no próximo dia 20 de maio, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, em Brasília, durante o mês em que se celebra o Dia Mundial da Reciclagem. O projeto é realizado pela Rede Educare, com patrocínio da Novelis, uma das principais empresas do setor de reciclagem de alumínio no país.

Mais do que registrar histórias individuais, a obra lança luz sobre uma realidade estrutural. Segundo dados do Movimento Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis, mulheres representam cerca de 70% da força de trabalho da reciclagem no Brasil. Muitas delas encontram nas cooperativas não apenas renda, mas também acolhimento diante de trajetórias atravessadas pela precariedade e pela ausência de oportunidades formais.

Foto por Magali Moraes / Divulgação

A escritora Viviane Mansi conduz a narrativa a partir de escuta e observação, evitando o tom romantizado frequentemente associado ao tema da reciclagem. O resultado é um conjunto de relatos que expõe contradições sociais profundas e revela como a sustentabilidade brasileira se apoia, cotidianamente, em trabalhadores invisibilizados.

Entre as personagens retratadas está Aparecida Ferreira de Maria, moradora de Brasília. Filha de catadores, ela começou a trabalhar com reciclagem ainda jovem, após enfrentar a maternidade aos 18 anos. Hoje, aos 41, afirma ter criado os sete filhos a partir da renda obtida com a atividade e atua na defesa da valorização da categoria.

Outra história presente no livro é a de Dulce Vale, de Goiânia. Após perder o emprego como secretária aos 40 anos, ela encontrou na reciclagem uma alternativa para sustentar a família. Atualmente, ocupa posição de liderança no movimento de cooperativas do setor.

As fotografias da obra são assinadas por Magali Moraes, que registra os ambientes de trabalho e o cotidiano das catadoras sem recorrer a filtros estéticos que suavizem a dureza da realidade enfrentada por elas.

Dados do Anuário da Reciclagem 2024 apontam que o Brasil possui mais de 3 mil organizações de catadores formalizadas, reunindo cerca de 70 mil trabalhadores em cooperativas. Ainda assim, estima-se que aproximadamente 800 mil pessoas vivam da atividade em todo o país — um contingente que evidencia o peso econômico e ambiental da reciclagem muito além das estatísticas oficiais.

A versão digital do livro será disponibilizada gratuitamente ao público no site da Rede Educare.Download gratuito da versão digital:Rede Educare

Serviço

Lançamento do livro “Mulheres que Reciclam o Futuro”
Data: 20 de maio
Horário: 11h30
Local: Salão Nobre da Câmara dos Deputados, Brasília

 

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