O Governo do Distrito Federal (GDF) deu o passo mais decisivo para encerrar o histórico de vulnerabilidade urbana do Sol Nascente/Pôr do Sol, região que por anos carregou o estigma de maior favela horizontal do País.
Em evento realizado nesta quarta-feira, 24, no Trecho 3, a governadora Celina Leão (PP) inaugurou um robusto pacote de infraestrutura orçado em R$ 215 milhões, cobrindo frentes críticas de pavimentação e escoamento de águas pluviais. O avanço deixa a área a apenas duas ruas de alcançar a meta de 100% de sua malha urbana totalmente consolidada e organizada.
A entrega atinge diretamente o cotidiano de mais de 95 mil moradores, concentrados em uma região administrativa criada em 2019 que cresceu sob a pressão do adensamento desordenado. As intervenções inauguradas englobam o Trecho 1 e os lotes 1 e 2 do Trecho 3. Na prática, a instalação de redes subterrâneas de drenagem e a cobertura de asfalto e blocos intertravados buscam neutralizar os crônicos problemas sazonais da comunidade: o isolamento pela lama durante o período chuvoso e a poeira sufocante na seca, garantindo fluidez ao tráfego de pedestres e motoristas.
A estratégia do Executivo local tenta reconfigurar a narrativa econômica da periferia do Distrito Federal. Segundo Celina Leão, a chegada do asfalto complementa um cinturão de equipamentos públicos que tenta aproximar o Sol Nascente da estrutura de cidades tradicionais.
“Hoje a cidade está totalmente transformada. Temos restaurante comunitário, faculdade, Agência do Trabalhador e a Casa da Mulher Brasileira”, enfatizou a governadora, sinalizando que a consolidação urbana é o lastro necessário para atrair serviços e fixar o comércio local.
O Raio-X dos Investimentos
A complexidade das obras reflete o tamanho do passivo de infraestrutura da região. O desenho das intervenções dividiu os aportes para garantir frentes simultâneas de trabalho. No Trecho 1 e em parte do Trecho 3, foram aplicados R$ 80 milhões para a abertura de mais de 7 mil metros de galerias de águas pluviais, pavimentação e calçadas padronizadas.
O maior volume de insumos concentrou-se no Lote 1 do Trecho 3, onde o GDF aportou R$ 75 milhões. A engenharia local demandou a aplicação de 110 mil metros quadrados de calçadas e 124,6 mil metros quadrados de blocos intertravados — modelo de pavimentação que facilita a permeabilidade do solo e reduz o impacto do calor nas vias secundárias. Outros R$ 60 milhões foram destinados ao Lote 2 para arrematar as conexões viárias pendentes.
Para além dos números técnicos, o evento de inauguração — realizado em frente à Igreja Redenção — expôs a dinâmica de palanque que deve ditar o ritmo da gestão até o encerramento do calendário de obras.
Ao ser interpelada por uma liderança comunitária durante a solenidade, Celina Leão quebrou o protocolo oficial para autorizar, de imediato, o projeto de construção de uma nova ciclovia integrada aos novos eixos viários.
“Está autorizado. Você vai organizar, e nós vamos fazer. Vai sair. Começa semana que vem”, disse a governadora Celina Leão aos técnicos presentes.



