Quem sofre com crises frequentes de rinite, asma, sinusite ou dermatite atópica passou a contar com um reforço no atendimento especializado da rede pública do Distrito Federal. A Policlínica de Taguatinga incorporou o prick test à rotina da unidade e reduziu o tempo de acesso à imunoterapia, ampliando a capacidade de identificar alergias e oferecer tratamentos direcionados aos pacientes.
O novo exame permite descobrir quais substâncias desencadeiam as reações alérgicas. Durante o procedimento, pequenas gotas contendo diferentes alérgenos são colocadas sobre o antebraço, onde recebem leves perfurações superficiais. Quando existe sensibilidade, a pele reage formando uma pequena elevação avermelhada, semelhante à provocada por uma picada de mosquito.
A partir do resultado, o especialista consegue definir com mais precisão o tratamento e avaliar a necessidade de encaminhamento para a imunoterapia, método utilizado para reduzir gradualmente a resposta exagerada do sistema imunológico aos agentes que provocam as alergias.
Segundo a alergista da Policlínica de Taguatinga, Roshni Babulal, o tratamento tem proporcionado mudanças importantes na rotina dos pacientes. “Os resultados costumam ser bastante positivos, principalmente entre pessoas que convivem com rinite alérgica e asma. Muitos conseguem diminuir as crises e recuperam uma rotina muito mais confortável ao longo do tratamento”, explica.
A médica ressalta que controlar uma alergia vai muito além de aliviar sintomas. “À primeira vista, uma rinite pode parecer um problema simples, mas ela interfere diretamente no sono, na disposição e até na capacidade de aprendizado. Quando esses sintomas deixam de fazer parte da rotina, a qualidade de vida melhora de forma significativa”, afirma.
O tratamento consiste na aplicação gradual e controlada dos próprios alérgenos responsáveis pelas reações, permitindo que o organismo desenvolva tolerância ao longo do tempo. O acompanhamento costuma durar entre três e cinco anos, período que varia conforme a evolução clínica de cada paciente.
Atualmente, a Policlínica de Taguatinga realiza entre 1 mil e 1,3 mil atendimentos mensais relacionados à imunoterapia, consolidando-se como referência no atendimento especializado da Região de Saúde Sudoeste.
Entre os pacientes beneficiados está Sofia Moraes, de 12 anos. Diagnosticada com dermatite atópica, doença genética caracterizada por inflamação da pele, ressecamento intenso e coceiras persistentes, ela iniciou acompanhamento especializado após realizar o prick test.
A mãe da adolescente, Ana Rosa Moraes, afirma que o tratamento representa uma oportunidade de devolver à filha atividades simples do cotidiano sem sofrimento. “Nosso sonho é que ela consiga viver normalmente. Há dias em que até o banho provoca dor, e as noites acabam sendo difíceis por causa da coceira. Além disso, ela enfrenta comentários maldosos sobre a aparência da pele. Estamos confiantes de que esse tratamento poderá mudar essa realidade”, relata.
Outra paciente atendida pela unidade é Ana Luiza Magalhães, de 11 anos. Após a investigação clínica, ela foi encaminhada para a imunoterapia e apresentou melhora ainda nas primeiras etapas do acompanhamento.
A mãe, Leidiana Magalhães, conta que o atendimento permitiu compreender melhor o quadro alérgico da filha. “Além da melhora clínica, descobrimos outras alergias que ela tinha e aprendemos como agir em cada situação. Também conseguimos fazer todo o tratamento na policlínica, desde as vacinas até as medicações, o que facilita muito para as famílias”, destaca.
O acesso ao serviço começa pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Depois da avaliação inicial, o paciente pode ser encaminhado ao alergista, que define a necessidade do prick test e, posteriormente, da imunoterapia.
Neste momento, a Policlínica de Taguatinga atende pacientes de Taguatinga, Águas Claras, Samambaia, Recanto das Emas, Vicente Pires e Água Quente, áreas que integram a Região de Saúde Sudoeste do Distrito Federal.



