A chegada da campanha presidencial ao rádio e à televisão abrirá uma nova etapa para Ronaldo Caiado (PSD) na disputa pelo Palácio do Planalto. Com pouco mais de dois minutos por programa, o ex-governador pretende aproveitar a exposição nacional para apresentar aos brasileiros um argumento que já ocupa lugar central em sua candidatura: a experiência acumulada no comando de Goiás.
A propaganda eleitoral gratuita começa na próxima sexta-feira (28). Caiado terá 2 minutos e 2 segundos, o terceiro maior tempo entre os presidenciáveis. Lula (PT) aparece com 5 minutos e 31 segundos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) terá 4 minutos e 20 segundos. O PSD contará ainda com 159 inserções distribuídas pela programação das emissoras.
Para a equipe de Caiado, a televisão será uma oportunidade de projetar para além das fronteiras goianas uma imagem construída ao longo de dois mandatos no Executivo estadual. A campanha quer associar o candidato a resultados administrativos e mostrar como políticas desenvolvidas em Goiás poderiam ganhar dimensão nacional.
Essa estratégia deverá colocar a segurança pública entre os principais assuntos dos programas. A área acompanha Caiado desde o início da corrida eleitoral e já recebeu destaque nos primeiros compromissos oficiais de campanha. O candidato pretende usar a experiência goiana para defender mudanças nacionais no combate à criminalidade.
A gestão da educação também fará parte dessa apresentação. O desempenho de Goiás no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) será explorado para reforçar o discurso de eficiência administrativa.
Na saúde, o foco estará na expansão e na descentralização dos serviços. Hospitais e policlínicas implantados no interior do estado deverão ser apresentados como exemplos da regionalização defendida pelo candidato para ampliar o atendimento longe dos grandes centros.
A área já ganhou espaço na campanha presidencial. Nesta semana, Caiado apresentou propostas para o SUS que incluem prioridade de atendimento conforme a gravidade dos pacientes, fortalecimento da prevenção, prontuários digitais e incorporação de novas tecnologias. O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta participou da elaboração das propostas.
Outro eixo será a modernização da máquina pública. A digitalização dos serviços e o uso da tecnologia na administração deverão aparecer como parte da experiência que Caiado pretende levar de Goiás para o governo federal.
Coordenador-geral da candidatura, Adriano da Rocha Lima afirmou que a comunicação será construída justamente a partir desse histórico. A campanha considera que áreas como segurança, educação, saúde, equilíbrio fiscal e transformação digital permitem apresentar Caiado ao eleitor nacional com base no que realizou como governador.
O desafio será condensar essa trajetória no tempo disponível e, ao mesmo tempo, avançar na apresentação das propostas presidenciais. A intenção é fazer com que cada política mostrada na televisão funcione como ponto de partida para explicar o que Caiado pretende implementar caso seja eleito.
Diferenças com adversários
A nova fase também colocará Caiado lado a lado com Lula e Flávio Bolsonaro na televisão. Apesar da disputa direta, a coordenação afirma que os programas não serão orientados por ataques pessoais.
As diferenças deverão ser apresentadas por meio do histórico político, da experiência administrativa e das propostas de cada candidatura. A estratégia permite que Caiado faça contrapontos aos adversários sem deslocar o centro da campanha para confrontos.
A definição ganha relevância após uma mudança recente na comunicação da candidatura. Marcos Carvalho assumiu o marketing depois da saída de Paulo Vasconcelos. Oficialmente, a alteração foi atribuída à busca por dedicação exclusiva e à integração das estratégias utilizadas dentro e fora das redes sociais.
Com o horário eleitoral, a campanha passa agora a falar diariamente com um público muito maior. A aposta do PSD é usar essa vitrine para transformar a experiência de Caiado em Goiás em um ativo nacional e reforçar a imagem de um candidato que busca chegar ao Planalto tendo os resultados de gestão como principal credencial.



