Uma operação de fiscalização realizada no Distrito Federal terminou com R$ 217,8 milhões em créditos tributários lançados após a identificação de irregularidades na movimentação de mercadorias. O balanço reúne impostos e multas decorrentes de transações verificadas pela Secretaria de Estado de Economia (Seec-DF) entre 8 e 20 de agosto.
No período, os auditores encontraram problemas em operações que, juntas, movimentaram aproximadamente R$ 453 milhões. As verificações alcançaram diferentes etapas da circulação de mercadorias, desde a emissão de documentos fiscais até importações e serviços de transporte entre estados.
O caso de maior impacto financeiro foi localizado na Área de Desenvolvimento Econômico (ADE) de Águas Claras. Uma empresa instalada na região teria sido utilizada para colocar em circulação notas fiscais relacionadas a negócios que, segundo a fiscalização, não aconteceram.
A apuração identificou cerca de mil documentos enviados a destinatários de cinco estados: Ceará, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. As transações registradas nessas notas alcançaram aproximadamente R$ 390 milhões.
O mecanismo permitia criar registros de compra e venda capazes de gerar créditos tributários sem origem em operações reais. Os documentos também serviam para justificar o trânsito de mercadorias e encobrir outras inconsistências relacionadas às cargas. A atuação sobre esse núcleo resultou em cerca de R$ 200,1 milhões em créditos tributários.
Durante as abordagens, diferentes tipos de mercadorias foram retidos. Entre os maiores volumes estavam 88,35 toneladas de sebo bovino, 78 toneladas de açúcar, 57 toneladas de milho e 35 toneladas de mármore. A lista inclui ainda 2.340 baterias automotivas, 26.490 itens de cosméticos e 19 mil unidades de óleo de soja.
Outras cargas continham feijão, trigo, farinha de milho, alimentos, madeira, materiais de construção, produtos de limpeza, água sanitária e equipamentos utilizados em panificação.
A fiscalização também acompanhou a entrada de produtos pelo Aeroporto de Brasília. Entre 10 e 17 de agosto, importações avaliadas em R$ 47,8 milhões passaram pela análise dos auditores. Como resultado desse trabalho, R$ 8,6 milhões foram recolhidos em ICMS de importação.
As equipes verificaram ainda serviços de transporte interestadual. Nesse segmento, a base de cálculo analisada chegou a aproximadamente R$ 5,2 milhões, com recolhimento de R$ 937,1 mil em ICMS incidente sobre os fretes.
A Secretaria de Economia informou que o balanço poderá sofrer alterações conforme as apurações avançarem. As fiscalizações fazem parte das medidas adotadas para identificar operações que escapam da tributação e reforçar o controle sobre a circulação de mercadorias no Distrito Federal.



