A dois dias do segundo turno, Leandro Grass pediu dinheiro ao eleitor. “Os nossos recursos financeiros são limitados”, disse em vídeo, sugerindo Pix de R$ 10, R$ 15, R$ 30 ou R$ 50. A cena seria apenas um apelo de campanha se o candidato não pertencesse ao PT, partido com o segundo maior fundo eleitoral do País (615 milhões ). Pires na mão, aqui, não é estratégia de mobilização. É sintoma.
O número que importa está no DivulgaCandContas, do TSE: o diretório local do PT investiu apenas R$ 113 mil na candidatura ao Palácio do Buriti. Do total de R$ 3,28 milhões em receitas registrado pela campanha, é pouco mais de 3%. Em uma disputa pelo governo da capital, é o valor de uma campanha de vereador de cidade média.
Dinheiro, na política, é voto de confiança. Partido que acredita no candidato investe nele. Partido que não acredita cumpre tabela. O PT do DF tem um fundo partidário robusto à disposição e escolheu não gastá-lo com Grass na proporção que a disputa exigiria. A conclusão é incômoda, mas difícil de evitar: o candidato não empolgou nem a própria legenda, que não o enxerga como ativo eleitoral.
O que Grass pede ao eleitor, portanto, é que faça o que o partido não fez. Que entre com R$ 10 onde a direção da sigla decidiu não entrar com mais. É um apelo, no fundo, a que o contribuinte corrija a avaliação de quem conhece o candidato melhor do que ninguém.
Não há ilegalidade em pedir doações, e a campanha poderá dizer que a pulverização de pequenas contribuições é sinal de força popular. Poderá também alegar que o PT investe em quem acredita e que a prioridade nacional é outra. Pode ser? Mas aí a pergunta muda de endereço: se o partido priorizou outras frentes, é porque a do DF não era a principal. E candidato que não é prioridade do próprio partido raramente vira prioridade do eleitor.
A matemática do pires é simples. Quem pede R$ 10 a quem tem pouco, depois de receber R$ 113 mil de quem tem muito, não está contando uma história de resistência. Está mostrando o tamanho da aposta que fizeram nele.



