Catadores que trabalham de forma independente no Distrito Federal são o principal alvo de uma nova iniciativa que pretende aproximar esses profissionais de uma rede de geração de renda, assistência e valorização dos materiais recicláveis. O programa Cata Vida foi lançado em Ceilândia com a proposta de alcançar trabalhadores que ainda atuam fora das cooperativas.
A iniciativa é da Associação e Cooperativa Recicle a Vida e conta com apoio estratégico do Instituto eureciclo e da Entidade Gestora Giro. O Sesc-DF, que mantém parceria com a cooperativa na gestão de resíduos, participou do lançamento, realizado na quarta-feira (12), na QNM 28, em Ceilândia Norte.
O ponto de partida do projeto é uma realidade comum na cadeia da reciclagem: enquanto parte dos catadores está organizada em associações, outra parcela trabalha individualmente, recolhendo e comercializando materiais sem a mesma estrutura de suporte.
O Cata Vida pretende diminuir essa distância. A proposta inclui acolhimento socioassistencial e medidas para melhorar as condições de trabalho e ampliar a renda obtida com a venda dos recicláveis.
Hoje, a Recicle a Vida reúne 79 catadores associados. Com o novo programa, a cooperativa pretende expandir sua atuação sem exigir que o trabalhador já faça parte da entidade, alcançando profissionais autônomos em diferentes pontos do DF.
Outra frente será o levantamento de informações sobre esse público. Os dados poderão ajudar a mapear a atividade e servir de base para iniciativas e políticas públicas destinadas à reciclagem e à inclusão produtiva.
Sesc destina resíduos à cooperativa
O lançamento também reforçou uma parceria mantida entre o Sesc-DF e a Recicle a Vida desde 2023. A instituição decidiu incluir uma cooperativa de catadores no gerenciamento dos resíduos gerados por suas unidades, associando a obrigação de destinação correta dos materiais à geração de trabalho e renda.
A operação já envolve mais de 500 toneladas por ano.
Roger Lopes, analista de Suporte à Gestão em Sustentabilidade do Sesc-DF, afirma que a escolha permite fazer com que os resultados da política ambiental ultrapassem os limites das unidades da instituição. “Em vez de tratar a destinação apenas como um serviço, buscamos um modelo em que esse trabalho também represente renda e oportunidade para quem depende da reciclagem”, afirma.
A presidente da Recicle a Vida, Cláudia Maria Alves, avalia que a continuidade da parceria fortalece o trabalho realizado pelos catadores. “Ter parceiros comprometidos com a cooperativa e com a pauta ambiental ajuda a dar sustentação ao trabalho e permite que a reciclagem também cumpra uma função social”, destaca.
Reciclar custa menos
A gestão dos resíduos também trouxe reflexos financeiros para o Sesc-DF. Todas as unidades adotam coleta seletiva, com divisão entre materiais recicláveis, orgânicos e resíduos que não podem ser reaproveitados.
Os recicláveis passam por triagem antes de retornar à cadeia produtiva. Restos orgânicos são encaminhados para compostagem e transformados em adubo. Somente o que não possui alternativa de reaproveitamento é enviado ao aterro sanitário.
A separação permitiu uma economia superior a R$ 70 mil nos custos de destinação.
Atualmente, cada quilo encaminhado para reciclagem custa cerca de R$ 0,70. Na compostagem, o valor é de aproximadamente R$ 0,68. Para o aterro sanitário, a despesa sobe para R$ 1,18 por quilo. “Quanto menos material tratarmos como rejeito, menor será a quantidade destinada ao aterro. A separação correta melhora o aproveitamento dos resíduos, reduz despesas e fortalece toda a cadeia da reciclagem”, explica Roger.
A expectativa com o Cata Vida é ampliar justamente a dimensão social desse processo: fazer com que mais materiais retornem ao ciclo produtivo e que uma parcela maior dos recursos movimentados pela reciclagem chegue aos trabalhadores que vivem da coleta no Distrito Federal.



