Brasília vem ampliando seu espaço no mapa dos grandes eventos esportivos e transformando sua vocação institucional em um novo ativo: a capacidade de sediar competições de alcance nacional e internacional. Nos últimos anos, a capital passou a receber disputas de diferentes modalidades, atraindo público expressivo e fortalecendo sua imagem como destino preparado para o esporte de alto nível.
De arenas tradicionais às áreas abertas da cidade, o calendário esportivo ganhou densidade. Somente no último ano, mais de 80 eventos tiveram apoio da Secretaria de Esporte e Lazer, reunindo desde etapas de circuitos internacionais até torneios nacionais que movimentaram atletas e torcedores.
A Corrida de Reis ilustra essa nova fase. A edição mais recente reuniu cerca de 30 mil pessoas entre participantes e espectadores, estabelecendo um recorde de público. Na sequência, a decisão da Supercopa do Brasil entre Flamengo e Corinthians levou mais de 71 mil torcedores ao Mané Garrincha, em uma operação marcada pela tranquilidade.
Para o subsecretário de Esporte, Lazer e Espaços Esportivos, Nivaldo Félix, esse movimento reflete planejamento e continuidade. “Brasília passou a ocupar um lugar de destaque no circuito esportivo, com estrutura para receber competições relevantes e envolver a população”, observa.
Esse reconhecimento já se traduz em agenda internacional. Em 2026, a capital será sede do Campeonato Mundial de Marcha Atlética por Equipes, promovido pela World Athletics. Será a primeira vez que o torneio ocorrerá no Hemisfério Sul, com delegações de mais de 40 países previstas para competir na Esplanada dos Ministérios.
“Trazer uma competição desse porte demonstra que a cidade reúne condições técnicas e logísticas para integrar o calendário global”, afirma o subsecretário.
Na sequência, o protagonismo continuará. Em 2027, Brasília será uma das cidades-sede da Copa do Mundo Feminina da FIFA, com partidas previstas para o Estádio Mané Garrincha.
Por trás desse avanço está uma política de recuperação e modernização da infraestrutura esportiva. No último ano, cerca de R$ 22 milhões foram direcionados a reformas e manutenção de equipamentos. Entre as intervenções, estão a reativação da iluminação do Estádio Abadião e a revitalização do Estádio Augustinho Lima.
Os Centros Olímpicos e Paralímpicos também integram essa estratégia. As unidades atendem mais de 45 mil pessoas em atividades que vão do esporte recreativo ao treinamento competitivo. Um novo centro está em construção no Paranoá.
Programas de incentivo ajudam a sustentar o desempenho dos atletas locais. Em 2025, o Compete Brasília apoiou mais de 5 mil esportistas, enquanto o Bolsa Atleta mantém suporte contínuo a competidores olímpicos e paralímpicos.
O impacto dessas políticas aparece nas trajetórias individuais. A lutadora Selma Bernardes, por exemplo, encontrou no jiu-jitsu uma nova direção após décadas dedicadas ao ensino. Com apoio institucional, passou a competir fora do país e acumular conquistas internacionais. “O esporte acabou se tornando um caminho para estabelecer metas e lidar melhor com os desafios do dia a dia”, conta.
Hoje, Selma lidera um projeto social em Taguatinga que incentiva novos talentos, como Bianca Alves, atleta que alcançou o primeiro lugar no ranking nacional em sua categoria. “A chance de disputar competições em outros estados ampliou minha experiência e contribuiu para a evolução técnica”, afirma Bianca.
“Quando um atleta recebe apoio, o efeito ultrapassa o resultado individual e alcança a comunidade”, resume Selma.
Entre grandes eventos e iniciativas de base, Brasília consolida um modelo esportivo que combina projeção internacional e impacto social.




