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Teleconsultas nas UPAs do DF reduzem espera em cerca de 70 minutos

Entre os pacientes elegíveis, 87% dos casos são resolvidos por videochamada, segundo dados do IgesDF

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As consultas médicas por videochamada já fazem parte da rotina das 13 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) administradas pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF). Desde maio de 2025, a modalidade contabiliza mais de 50 mil atendimentos. Em 2026, o serviço foi ampliado, com a inclusão dos domingos e a extensão do horário de funcionamento em quatro unidades.

Voltada a pacientes com quadros de menor gravidade, a teleconsulta permite que parte das avaliações médicas seja realizada remotamente, sem a necessidade inicial de uma consulta presencial. Entre os pacientes classificados como verdes e considerados aptos à modalidade, 87% dos casos são resolvidos por videochamada, enquanto 11,6% exigem encaminhamento para atendimento presencial.

A diferença também se reflete no tempo de espera. Os pacientes elegíveis atendidos por videochamada aguardam, em média, cerca de 70 minutos a menos. A taxa de abandono é de 10% nesse grupo, ante 32% entre os usuários que aguardam diretamente pelo atendimento presencial.

Para a gerente de Regulação em Saúde da Diretoria de Atenção à Saúde (Diase), Lillian Campos dos Santos, o volume de consultas realizadas demonstra que a teleconsulta já está incorporada à assistência oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ela, a consolidação da modalidade contribui para reorganizar os fluxos de atendimento e ampliar as alternativas de acesso à assistência médica na rede pública.

A seleção dos pacientes começa na triagem, quando a equipe de enfermagem identifica os casos que podem ser avaliados remotamente. A possibilidade é apresentada ao usuário, que decide voluntariamente se deseja realizar a consulta por vídeo.

Durante o atendimento, o paciente conta com o suporte de profissionais da própria UPA. Caso o médico identifique a necessidade de exames, administração de medicamentos ou avaliação presencial, o usuário recebe o encaminhamento adequado. A conduta depende dos sintomas e das condições clínicas apresentadas, e a teleconsulta não substitui o atendimento presencial quando ele é necessário.

Atendimento remoto facilita o relato dos sintomas

A possibilidade de conversar com o médico por videochamada foi bem recebida por Ana Ferreira de Barros, de 69 anos. Moradora de um assentamento do Incra, em Planaltina de Goiás, ela procurou a UPA de Sobradinho durante uma crise de fibromialgia e utilizou o serviço pela primeira vez.

Ana relata que precisa receber medicação intravenosa durante as crises. Ela também explica que costuma ficar inibida ao conversar presencialmente com o médico, o que dificulta a descrição dos sintomas. Na consulta remota, sentiu-se mais à vontade para explicar o que estava sentindo.

Após a avaliação, a paciente foi encaminhada para receber a medicação indicada. Ela destacou a atenção recebida e afirmou que recomendaria a modalidade a outras pessoas.

Na UPA do Gama, o índice de satisfação dos usuários chegou a 85% em setembro de 2026, segundo o gerente da unidade, Otávio Maia.

De acordo com Maia, muitos pacientes ainda se surpreendem ao descobrir que podem receber avaliação médica por videochamada no SUS. A apresentação do serviço e as orientações fornecidas durante o atendimento têm contribuído para ampliar a aceitação da modalidade.

O gerente também destaca o papel dos técnicos de enfermagem, que acompanham os usuários durante a consulta, esclarecem dúvidas e orientam sobre os procedimentos necessários após a avaliação médica.

Quatro UPAs oferecem teleconsultas até as 22h

A ampliação do serviço foi viabilizada por novas contratações e ajustes nas escalas médicas. Em setembro de 2026, as teleconsultas passaram a ser realizadas aos sábados. Em outubro, a oferta foi estendida aos domingos, abrangendo as 13 unidades administradas pelo IgesDF.

As UPAs de Vicente Pires, Gama, São Sebastião e Brazlândia oferecem a modalidade até as 22h, de segunda a sexta-feira. Nas demais unidades, o atendimento ocorre das 7h às 19h. Aos sábados, domingos e feriados, o serviço funciona das 7h às 19h em todas as unidades.

O planejamento prevê a ampliação gradual do horário até as 22h nas demais UPAs durante os dias úteis, conforme a capacidade operacional e a organização das escalas médicas.

A expansão é coordenada pela Gerência de Regulação em Saúde, por meio do Núcleo de Telessaúde, em parceria com as superintendências das UPAs. O trabalho envolve a organização dos fluxos de atendimento, o aprimoramento dos critérios de elegibilidade para a consulta remota e o acompanhamento dos casos que necessitam de encaminhamento ou retorno à unidade.

O IgesDF monitora diariamente os indicadores para avaliar o desempenho do serviço. Entre os dados acompanhados estão o número de consultas realizadas, o tempo de espera, a permanência dos pacientes nas unidades, a necessidade de exames e os desfechos clínicos.

Para Lillian Campos, a confiança dos usuários é fundamental para ampliar a adesão à teleconsulta. Segundo a gerente, o acolhimento e as orientações claras durante todas as etapas ajudam os pacientes a compreender o funcionamento do serviço e a se sentir mais seguros ao optar pela modalidade.

Com a ampliação dos horários, o acompanhamento dos resultados e a orientação aos usuários, o IgesDF busca consolidar a teleconsulta como uma alternativa de acesso à assistência médica nas UPAs do Distrito Federal, mantendo o atendimento presencial sempre que as condições clínicas exigirem.

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