O bolso dos trabalhadores e aposentados brasileiros pode ganhar um fôlego extra. Segundo a proposta da Lei Orçamentária enviada pelo Governo Federal ao Congresso, o salário mínimo pode saltar dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.741 em 2027. O aumento estimado de 7,4% não altera apenas o contracheque de quem ganha o piso, mas provoca um efeito cascata em benefícios previdenciários, no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e no PIS/Pasep.
O cálculo que sustenta essa projeção combina a inflação acumulada medida pelo INPC (entre dezembro de 2025 e novembro de 2026) e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, respeitando o teto legal de reposição da inflação mais ganho real de até 2,5%. A palavra final, no entanto, só virá após o IBGE fechar o índice oficial de preços e o Congresso chancelar a proposta.
Atrás desse reajuste, a equipe econômica também desenhou metas ousadas para o caixa do país. O plano prevê um superávit primário nas contas públicas de 0,5% do PIB (cerca de R$ 73,2 bilhões), mas a projeção interna do próprio governo é ainda mais otimista, podendo bater os R$ 83,4 bilhões.
De acordo com o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o cenário é factível porque reduz o peso das despesas obrigatórias e dá mais margem para a gestão dos gastos discricionários. O ministro fez questão de frisar que as estimativas não dependem do aval do Congresso para novas receitas ou matérias condicionadas.
Se o cronograma avançar sem percalços na Câmara e no Senado, o novo piso nacional deve ser oficializado na primeira quinzena de janeiro de 2027, com publicação no Diário Oficial da União. Contudo, eventuais esticadas na tramitação parlamentar podem empurrar o martelo final para o fim de janeiro ou início de fevereiro.



